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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

O "PRAZER" DE VOLTAR A SER CRIANÇA

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

PRELIMINAR

Eu aviso desde já: este texto vai ser longo.

Mas, convenhamos, tudo o que é realmente bom a gente não quer que acabe.

 

O meu compromisso — ou a minha deliciosa intenção — é fazer com que você nem perceba o tamanho (do texto, claro, e do tempo que não passa — apenas acontece).

Que leia segurando a minha mão em cada linha, como quem se deixa conduzir sem pressa, até que, lá no fim, cheguemos juntos ao mesmo lugar: o deleite.

 

E aqui já começa uma verdade que poucos homens entendem (e muitos preferem ignorar):

o desejo feminino é uma obra lenta, artística, quase arquitetônica.

Enquanto um homem alcança o ápice em minutos, a mulher precisa de tempo — sangue, pensamento, sensações — um ritual silencioso que dura pelo menos quinze minutos para florescer inteiro.

 

Só um homem insensível termina antes da mulher ter começado.

E dorme.

E ronca.

E vira, sem vergonha nenhuma, de costas para a protagonista da criação.

 


 

O TOQUE

Nietzsche diria que isso é uma falha espiritual — e estaria certo, com seu bigode e seu amor pelas montanhas.

A diferença entre nós é simples: ele não acreditava em Deus. Eu acredito — não na religião, mas no Todo.

 

Porque quando duas pessoas se encontram e sentem aquela faísca estranha —

“eu já conheço essa alma, mas não sei de onde” —

não é acaso.

É roteiro.

É o invisível escrevendo certo por linhas tortas, enquanto os dois ainda não sabem ler o próprio destino.

 

É por isso que, às vezes, mesmo desconhecidos, duas pessoas sorriem uma para a outra de modo inexplicavelmente familiar.

Como crianças que se reconhecem antes das palavras.

 

E talvez — ouso imaginar — Deus sorria junto e pense:

 

“Ah, esses dois… não fazem ideia do que ainda está por vir.”

Quando, mais tarde, tudo parece encaixar como se mãos invisíveis estivessem empurrando dois estranhos na direção certa…

 

Isso é Deus, o grande roteirista.

O Verbo.

A Palavra.

E a sua magnus opus foi a mulher.

 

Criar algo tão belo exauriu tanto Sua energia que Ele precisou descansar um dia inteiro.

E viu Deus que era bom…

E descansou satisfeito.

 


 

 ASCENSÃO 

Mas voltemos à metamorfose de Nietzsche.

Do camelo que suporta…

ao leão que enfrenta…

até a criança que renasce, vê tudo como se fosse a primeira vez e encontra alegria no que sempre existiu.

 

Meu sobrinho assiste ao mesmo desenho repetido — e ri todas as vezes como se fosse novidade.

Eu, adulto, faço o mesmo com Fale com Ela, A Grande Beleza…

Volto, repito, revejo.

Porque quando algo nos toca na essência, voltar é um prazer — não uma repetição.

 

E quando um sentimento retorna com essa força infantil…

é porque tocou o que há de mais verdadeiro em nós.

 

A arte faz isso.

A beleza faz isso.

O humor também — aliás, o humor é meu jeito de expulsar o espírito de gravidade da leitura.

Rir é um prelúdio perfeito do prazer: suave, inesperado, libertador.

 


 

O EXTASE.

E por falar em humor…

Humbert Humbert, de Lolita (no filme de Kubrick, o único que importa), perdeu a jovem não para alguém mais inteligente, mas para alguém mais leve — interpretado por Peter Sellers.

O cômico venceu o trágico.

 

É por isso que eu rio.

Que eu faço rir.

Porque a risada é tão inevitável quanto o êxtase — e tão íntima quanto ele.

 


 

O REPOUSO

E por mais completos que sejamos, sempre haverá alguém oferecendo à pessoa que desejamos aquilo que nos falta.

Vide Kaká — o genro perfeito — trocado na vida real porque ser “perfeito” nem sempre é o bastante.

 

Eu não controlo nada disso.

Só controlo o que sou, e o que posso oferecer. O que posso fazer é ser a minha melhor versão…

para que a mulher - hipotética, inexistente - que eu amo se sinta única.

 

Mas digo sem ironia:

se um dia minha mulher me traísse com alguém igual a mim…

eu nem ficaria triste.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/11/2025
Alterado em 14/11/2025
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