× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

A VOCAÇÃO DE TODA MULHER É SER PRINCESA — OU RAINHA

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

O MITO, A ESPUMA E A VOZ QUE SE ENTREGA

As versões originais dos contos de fadas sempre me atraíram mais do que as adaptações suavizadas. Entre todas, a que mais me fascina é a história de Hans Christian Andersen — — a verdadeira pequena sereia: a jovem que habita o reino perdido das águas, silencioso como um templo submerso.

 

Ela abre mão da própria voz para ganhar pernas. E para caminhar ao lado do príncipe, cada passo se transforma na dor de pisar em vidro quebrado. No fim, ela não conquista o amor que desejava… mas torna-se espuma.

E é curioso como a mitologia ecoa essa imagem: Aformidável Afrodite, deusa do amor, também nasce da espuma — das ondas que se misturam ao sêmen de Urano no encontro ancestral com Gaia.

A vida, afinal, sempre nasce de uma ruptura.
 


 

O ENCANTAMENTO QUE A DISNEY DOMESTICOU

Walt Disney tornou essas narrativas mais palatáveis ao gosto coletivo, tingindo-as com fantasia, luz e consumo. Criou mundos inteiros, parques temáticos, castelos tangíveis — versões domesticadas do que antes era trágico, profundo e quase temeroso.

 

Eu, porém, confesso minha preferência pela solidão das montanhas, pelos museus silenciosos e pela abstração dos livros. É onde minha natureza contemplativa — e masculina — repousa.
 


 

O SONHO DE MENINA E A REALIDADE DO MUNDO

Mas há algo que é eterno na sensibilidade feminina:

a vocação para o reino, para o castelo, para a coroa.

Não no sentido material, mas afetivo. Desde cedo, muitas meninas crescem como a princesinha do pai. Guardam esse gesto no peito, mesmo quando a vida adulta as convoca para urgências, boletos e pressões que as afastam da fantasia primeira.

 

Os homens, no máximo, tentam aproximá-las disso com cantadas inspiradas na Disney, dizendo que parecem princesas saídas de um parque de lá — ou simplesmente pagando à viagem para Orlando. Mas a verdade é que muitas mulheres não encontram príncipes; encontram feras… ou sapos.

 

E, ainda assim, há uma aristocracia espiritual na mulher — uma altivez silenciosa de beleza, graça e intuição — que pede algo mais nobre do que esses encontros.

 


 

O RETORNO AO CASTELO INTERIOR

A sorte é que, quando prosperam, elas podem ir à Disney; e ali, por alguns instantes, voltam a ser a criança que foram, a princesa original.

Ver o sorriso de uma mulher quando ela se reconhece princesa, mesmo que só por uma semana, tem algo de comovente.

A magia a reconecta ao que ela sempre soube — que nasceu para brilhar, ser admirada, ser cuidada, ser escolhida.

 

Depois, claro, a realidade retorna.

O cotidiano aperta.

O sapo–príncipe ressurge.

 

Mas aquela lembrança — a alegria luminosa, o instante de realeza — permanece.

E talvez seja isso o que sustenta toda mulher: a certeza íntima de que, apesar do mundo, ela ainda guarda dentro do peito um castelo.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 12/11/2025
Alterado em 12/11/2025
Comentários