
Eu sou muito bom no que faço, disso não resta a menor sombra de dúvidas — embora eu não tenha a menor ideia do que exatamente seja isso que eu faço.
Mas, seja lá o que for, eu faço muito bem. O que já é mais do que muita gente pode dizer sobre o que quer que esteja fazendo, seja lá o que for também.
E antes que me acusem de disseminar a confusão e a separação, como o tinhoso dos tempos modernos, esclareço: meu objetivo é promover o bem-estar geral da sociedade — algo entre o programa do Silvio Santos e um tratado de filosofia do riso.
A única diferença é que, em vez de jogar aviõezinhos de dinheiro, eu lanço textos de humor de teor altamente duvidoso. E, convenhamos, o retorno emocional é parecido.
O ponto é: como sou muito bom no que faço (ainda que eu não saiba o que seja), acabo colocando o sarrafo lá em cima — e isso cria um efeito colateral positivo.
Os homens, ao se compararem comigo, percebem que podem ser mais amáveis, atenciosos e espirituosos.
As mulheres, por sua vez, percebem que, embora seja tentador ser desejada por alguém que é absurdamente bom em algo que nem ele sabe o que é, no fundo preferem alguém com quem possam formar um casal, constituir uma família — enfim, fazer tudo aquilo que a gente finge entender sobre o amor maduro.
No fim das contas, o melhor de mim elas ainda podem ter — que é me ler.
Quando o relacionamento entrar naqueles altos e baixos normais, bastará uma passada no meu texto.
Nada que uma boa viagem para a Disney, um perfume caro ou um tênis de gosto duvidoso não resolvam (ou piorem, dependendo da cor).
Portanto, o meu conselho a vocês, mulheres que não puderam — ou sabiamente não quiseram — se aventurar com alguém como eu, é simples:
arrumem um par que, no mínimo, banque uma viagem para a Disney, compre bons perfumes e tenha o bom senso de usar este humilde escriba como referência estética.
Porque, no fim, a minha escrita realmente une casais.
Só não une um casal do qual eu mesmo faça parte.