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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

À UMA RECANTISTA QUE SE FOI…

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

SOBRE O TÍTULO E A MORTE DUPLA

Não, não é um memorial recantista. Ao menos que admitamos que o escritor se assemelha ao jogador de futebol — aquele que morre duas vezes na vida: quando de fato morre e quando se aposenta. Assim também é o escritor: ele morre quando deixa de viver e, sobretudo, quando para de escrever. Por isso, o título é justo — e certeiro.

 


 

O ENCONTRO PELA LEITURA

Pode ser que ela leia este texto; então, morta não está. Mas o texto é tão bom que até quem já partiu se beneficiaria da leitura — ainda que não seja o caso dela. Afinal, o que nos ligou foi a leitura. E, confesso, li mais dela do que ela de mim.

 


 

O QUE EU VIA NELA

Ela tem aquelas duas ou três coisas que admiro numa mulher: é bonita, inteligente e sabe escrever. Além disso, havia nela uma cordialidade que recordo até hoje — muito jovem, com apenas dezenove anos, e uma fotografia quase infantil, talvez tirada antes. Essa imagem me despertava sentimentos ambíguos: ternura, admiração, proteção… mas também desejo e atração. E um certo mal-estar, porque, à época, minha atenção estava voltada a outra — embora, no fundo, a minha mulher sempre tenha sido a solidão. Ou melhor: a literatura. E ela, com sua bela imagem, me proporcionava exatamente isso.

 


 

A CONVERSA QUE VIROU TERNURA

O que mais me marcava, porém, era sua atenção e diligência. Ela respondia a todos os comentários com uma simpatia rara. Isso me chamou a atenção até que decidi comentar também — sem segundas intenções. Entre comentários e respostas, houve conversa. E, ouso dizer, até amizade. Talvez até confidência. Dizer “amor” seria exagero — mas havia, sim, uma ternura desinteressada. Um vínculo leve, feito de palavras, respeito e entrelinhas.

 


 

O DESENTENDIMENTO

Depois veio o desentendimento. Aquela vaidade comum aos que escrevem — de preferir perder tudo a ceder, mesmo alguém especial. E então, nossa ruptura. Mas é sabido: o amor é o único jogo em que o perdedor ganha tudo. E eu desejei perder. Porque perder, às vezes, é a forma mais elegante de permanecer.

 


 

HOMENAGEM

A ela escrevo, para homenageá-la. Certo de que, mesmo que eu fosse uma mistura de Shakespeare, Pessoa e Drummond, não daria conta de escrever versos à altura dela. Nem de restituir, com palavras, a doçura da nossa antiga amizade. Há algo de sagrado em reconhecer que certas presenças não voltam — mas continuam a nos escrever por dentro.

 


 

SE EU TIVESSE SORTE

Se eu tivesse sorte, talvez, pelo menos, lhe devolveria a vontade de escrever. E isso, para mim — poder lê-la, comentá-la, mesmo sem resposta — já seria quase equivalente ao amor correspondido. Porque ler alguém é uma forma silenciosa de tocá-la sem profanar o mistério que ela carrega.

 


 

O SONHO

Ela é o sonho mais doce que nunca ousei sonhar. Talvez por excesso de calorias — ou por falta de coragem. Mas há sonhos que nascem apenas para serem escritos; e, quando escritos, tornam-se eternos.

 

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 08/11/2025
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