
Não, não me refiro a Karl Marx — mas a Groucho Marx e seus irmãos: Chico, Harpo e Zeppo, os gênios do humor anárquico que reinventaram a comédia no cinema.
Falo do grupo responsável pelo clássico “Diabo a Quatro” (Duck Soup, 1933), uma das maiores sátiras políticas e sociais já filmadas, onde a guerra e o poder são ridicularizados com absurdo e elegância.
Groucho foi quem cunhou a frase genial:
“Jamais faria parte de um clube que me aceitasse como sócio.”
E assim também sou eu — não dá pra confiar num lugar que me queira como membro.
Como o alemão barbudo, Groucho também era judeu; mas, em vez de filósofo gordo e barbudo, era magro, esguio, de bigode pintado e olhar debochado. Trocou o berço da revolução pela Broadway e depois por Hollywood, o verdadeiro templo do espetáculo.
E pensar que um filme de 1933 ainda consegue nos fazer rir hoje — e rir de nós mesmos — é prova de que o riso é mais revolucionário que qualquer manifesto.
Por isso, declaro sem culpa:
Sou marxista — e capitalista.
Adoro ouro, mulheres e cinema.