
Meu coração traz essa inscrição logo antes da entrada, quase como o inferno de Dante que dizia que, antes de entrar, devia-se deixar toda a esperança. Mas, no meu caso, é o orgulho.
O orgulho demais é, como dizem, a hipocrisia que um vício presta a uma virtude — portanto, é nocivo.
Algumas mulheres amam o orgulho. Ou, por tanto orgulho, deixam de amar, fazendo o gesto contrário ao seu próprio coração — e isso é profundamente motivador.
Se elas usassem essa mesma obstinação para fazer dieta, para praticar cardio, para escrever ou ler, com certeza o mundo — que já é das mulheres — seria ainda mais delas.
Todas aquelas sobre quem escrevi, ou na internet, me bloquearam. Duas, é verdade, eu bloqueei antes que elas me bloqueassem.
Mas não entendo esse orgulho que só serve para esconder os sentimentos. Porque, como diz Nietzsche, as mentiras mais comuns não são as que contamos aos outros, mas as que contamos a nós mesmos. E assim, elas me bloqueiam, mas tenho certa razão para acreditar que continuam a me acompanhar à distância.
Na sociedade do imediatismo, é raro alguém que, com o poder da linguagem, tenha a capacidade de parar o tempo — ou fazê-lo retroceder —, lembrar-lhes do que falta, do que a vida é uma escolha, e que, ao escolher, deixamos de escolher inúmeros outros caminhos possíveis.
É isso que minha página, quando dedico um texto a alguém, significa.
Se aumenta a leitura de um texto antigo, aquele a quem me refiro, é uma forma silenciosa de comunicar. Aliás, se ela teve o interesse de me ler — um texto já soterrado entre 2.000 selecionados, antigo — só pode significar algo.
Eu monitoro, com certo prazer, se faço questão de saber quantas leituras específicas ele teve, quanto foi em sua homenagem, e o quanto teve depois. Sentir esse prazer só pode significar algo…
É uma comunicação, tácita, silenciosa. E, se sem falar você quiser me comunicar algo, este é um bom método.
Porque, se eu não estiver acompanhando, simplesmente é porque não me importo. Mas, se sim, é que certamente você significa muito.