
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Neste período sabático que escolhi tirar — longe de relacionamentos e negócios — decidi viver um novembro diferente. Um mês de detox de excessos: de sexo, de trabalho e até de ruído. Um tempo para negar o ócio improdutivo e, ao mesmo tempo, abraçar o ócio criativo — aquele que nutre o espírito e devolve o encanto às pequenas coisas.
Quero que este seja o mês mais maravilhosamente inútil e magicamente produtivo do ano. Um tempo em que o esforço não seja obrigação, mas prazer. Em que o silêncio valha mais do que qualquer aplauso.
Vocês sabem: eu não forço nada. Mas também não deixo o destino trabalhar sozinho. Dou a ele uma pequena ajuda — e ele, quando quer, retribui com generosidade.
Neste mês mágico, como a virada improvável do Palmeiras, quero acreditar nas minhas próprias reviravoltas. Estou com novos projetos, pequenas epifanias que me dão vontade de existir um pouco mais.
Um deles é começar a postar no Instagram trechos de filmes que amo, legendados por mim e escolhidos com curadoria quase artesanal. Não me importo se ninguém assistir. O importante é que estejam lá — decorando meu feed, refletindo um pouco do meu olhar.
Se alguém passar e se encantar, ótimo. Se não, tudo bem também. Eu posto para mim — para ver, rever, e sentir outra vez.
E começarei com a cena mais linda de “Viver a Vida”, de Godard, com Anna Karina:
Cena mais bela de VIVER A VIDA, de Godard.
Nana reflete. E o tempo, por piedade, para de ferir.
🎬 Vivre sa vie (1962), Jean-Luc Godard
🎵 Jean Ferrat — Ma Môme
LINK
Youtube: https://youtu.be/HMRamqF-m-c
INSTAGRAM;
https://www.instagram.com/reel/DQhhkuVEStO/?igsh=MTk1MzNodzI0dDBiZw==
Depois, virão as de “Era uma Vez na América”, meu filme número um, aquele que parece me compreender melhor do que muita gente viva.
Quando eu postar, divulgo aqui. Mas o essencial é que esse mês não é sobre mostrar, é sobre ser.
Novembro também será o mês da dieta perfeita. Quero alcançar o equilíbrio absoluto — zero açúcar, zero gordura extra, apenas o essencial que o corpo reconhece e transforma em energia.
Como eu suo muito e perco muitos líquidos, o reabastecimento de eletrólitos é sagrado — Powerade, Gatorade e água em abundância. O corpo é minha ferramenta de expressão, e quero tratá-lo como um templo em reforma.
Quero dormir bem, acordar em paz, alinhar meu ciclo circadiano com o sol e o silêncio. Treinar o corpo e a mente com a mesma devoção.
Serão abdominais e core todos os dias, com foco em hipertrofia duas vezes por semana. Treinos entre 10h30 e 13h, respeitando o tempo sagrado da manhã. À tarde, entre 16h30 e 19h, fecho o segundo ciclo. Depois disso, descanso e alimento.
Escolhi viver, neste momento, uma rotina de atleta monástico — apostando que a disciplina de hoje será a liberdade do amanhã. Abdico de bens, distrações e relacionamentos — mas, claro, não de tudo.
Porque, convenhamos: há um erro comum em todos nós — o de não cumprir as metas que nós mesmos traçamos.
A maioria das pessoas faz promessas a si mesmas, mas se sabota na primeira esquina. E eu não quero isso para este mês.
Desta vez, seguirei à risca o que defini — com uma única exceção: a parte do sexo. Essa, confesso, talvez mereça um pequeno desvio de rota. Afinal, até os monges têm seus demônios, e até a disciplina mais pura precisa de uma centelha de tentação.