
Do crente ao ateu, ninguém explica Deus — tampouco o amor.
Mas o amor, em sua existência concreta e inexplicável, é a própria comprovação de que Deus existe.
E, em Sua infinita sabedoria, Deus criou o doce para explicar o amor: uma mistura de prazer, risco e entrega — tão intensa que chega a doer de tão boa.
Se as pessoas creem em Deus, é para agradecer ou pedir o que lhes falta.
Mas é impossível que um homem, tendo ao seu lado uma mulher como você, não creia em Deus.
Ou, ao menos, que não o invoque em silêncio — pedindo que o deixe continuar tendo a sorte de te olhar, de te ouvir, de existir no mesmo tempo que você.
Você parece fruto de algo divino.
Há tanta beleza em ti que é como se o próprio Criador tivesse escolhido te desenhar com um cuidado especial — uma beleza que reflete a criação inteira em sua magnitude silenciosa.
A ciência pode admitir que a vida é fruto de combinações improváveis, mas diante de você, até o mais cético se rende: nada tão perfeito poderia nascer do acaso.
Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas.
E talvez eu tenha demorado a entender o que isso significa.
Passei por você tantas vezes, durante anos — e nunca a vi como vi agora.
É a mesma mulher, mas algo mudou: talvez a luz, o tempo, ou o meu olhar.
Hoje, sua presença resplandece com uma força divina, quase dolorosa, como se o próprio destino estivesse enfim se revelando.
Sempre me tratou bem — e claro, fazia parte da sua função tratar todos assim.
Mas algo em seu modo de me olhar, em cada gesto gentil, me fazia sentir que alguns clientes eram mais especiais que outros.
Como se o futuro, de alguma forma, já estivesse sendo escrito por mãos invisíveis, que agora me conduzem até você.
Um amigo me disse certa vez que Deus conhece nossos corações — e que, se orássemos com sinceridade, Ele nos conduziria à mulher ideal.
Na época, sorri com ceticismo.
Mas agora, diante de ti, percebo que talvez ele estivesse certo.
Você é, ao mesmo tempo, a prova da existência de Deus e o desmentido do livre-arbítrio.
Porque se eu realmente fosse livre, bastaria querer — e eu deixaria de te desejar.
Mas não posso.
Por mais que eu saiba que esse amor talvez não seja o “correto”, ele me domina, me move, me eleva.
O amor não conhece moralidade; ele acontece, como um milagre que desobedece as regras.
Se o livre-arbítrio fosse real, eu escolheria não sofrer por alguém que já tem outro.
Mas não sou livre.
Sou escravo da lembrança do teu sorriso, prisioneiro da tua ausência.
E ainda assim, sinto gratidão — porque o que me prende também me torna mais vivo.
Talvez Deus e o Tempo sejam cúmplices — dois intelectuais silenciosos que conduzem nossos passos por caminhos que julgamos errados, mas que, no fim, revelam sua lógica divina.
E talvez o que chamamos de destino seja apenas o instante em que entendemos, com o coração, aquilo que a razão se recusava a aceitar:
que o amor é a forma mais pura de oração.