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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


É DIFÍCIL AMAR UMA AUSÊNCIA…

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, mas eu tenho o site DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR, que contraria esse direito inviolável da Constituição. É, de certa forma, um arquivo de confissões — provas contra mim mesmo.

 

Eu escrevo sobre o amor. E é possível que as pessoas sobre quem escrevo leiam o que eu digo — mas também pode ser que não. É justamente por isso que não divulgo essa página e não cito nomes: o intuito do meu site é servir como um diário.

 

E, sinceramente, eu escrevo o que gostaria que fosse — não necessariamente o que é. O que acontece de fato, eu guardo para mim. Ainda assim, tenho certeza — e essa é minha intenção — de que as pessoas sobre quem escrevo se sintam mais felizes, mais valorizadas, como se estivessem saindo do tédio cotidiano para entrar num território de prazer e descoberta...

Um espaço onde eu seguro suas mãos.

 


 

O AMOR COMO MATÉRIA-PRIMA

O amor é meu principal tema. Mas talvez eu seja, como o pintor do conto O Retrato Oval, alguém que ama mais a própria arte do que a pessoa retratada. No fim, talvez eu ame mesmo apenas a minha escrita — e ame para ter matéria para escrever.

Transformo sentimentos em texto, e pouco me importa se a realidade corresponde ao que descrevo: o que me importa é o que o amor me faz criar.

 

Identifico-me com o protagonista de O Homem que Amava as Mulheres, de Truffaut. Ele não era bonito, mas tinha charme e sabia escrever — e isso bastava para ter sucesso com o sexo feminino. Sempre foi solteiro, e talvez essa fosse a sua forma de liberdade.

A diferença é que eu sou mais discreto, talvez para não ter o mesmo fim trágico.

 


 

O ESCRITOR E SEU PRÓPRIO LABIRINTO

Penso também em Pessoa — aquele que escrevia compulsivamente, como se viver e escrever fossem a mesma coisa.

Quando morreu, encontraram um baú com mais de dois mil textos, pedaços de papel assinados “B.S.” — Bernardo Soares, seu heterônimo que escrevia prosa.

Esses fragmentos se tornaram o Livro do Desassossego.

Quem sabe, um dia, alguém faça o mesmo com os meus escritos e monte um compêndio que me imortalize também?

 

Nietzsche dizia que Kant, Schopenhauer e ele próprio justificavam o insucesso com as mulheres apelando para o intelecto. E é cômico imaginar um filósofo casado. Eu não concordo, mas também sou solteiro — não por convicção, mas por falta de opção.

Talvez eu seja um Antônio Bandeira mais elegante e bonito, que ainda espera por essa grande paixão capaz de dissolver até as convicções mais firmes.

 


 

O FILÓSOFO E O DESEJO

Há também a imagem dos filósofos que Aristófanes pinta em As Nuvens — sujeitos avoados, com a cabeça no céu e os pés longe da realidade.

Ou como Tales de Mileto, que, de tão distraído, caiu num poço.

Talvez estivessem apenas pensando no amor — e em como encontrá-lo.

A filosofia ensina muitas coisas, mas não ensina a amar.

 

Eu, por exemplo, jamais arrumaria confusão no meu bairro por causa de uma mulher, por mais desejo que sentisse. Não valeria o risco.

Mesmo quando vejo as colegiais passando na saída da escola durante minhas caminhadas, ou as jovens na academia — por mais tentador que fosse — não valeria a pena.

Posso ter aparência jovial, poucos anos a mais do que elas e até uma mentalidade menor do que a delas…

Mas o risco não compensa. O amor, para ser belo, precisa ser consciente.

 


 

ENTRE O AMOR E A ARTE

No fundo, talvez o amor e a arte sejam a mesma coisa: ambos pedem entrega, mas também distância; paixão, mas também lucidez.

Escrevo para tocar, não para possuir.

Escrevo porque, quando amo, as palavras me traem — e quando não amo, é nelas que me reencontro.

 

E se o amor for, no fim, apenas o nome mais bonito que damos ao impulso criador — então sim, eu confesso: amo demais.

Mas é a arte que me faz permanecer.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 29/10/2025
Alterado em 29/10/2025
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