× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


Sempre que vejo um doce, lembro dela — mas passo vontade igual.

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Como eu poderia dizer que prefiro loiras, se você é morena?


 

O HÁBITO QUE IMITA O AMOR

Algumas pessoas nos acostumamos tanto no dia a dia que sua aparência e beleza se harmonizam com o ambiente, com a rotina, com o cotidiano. É por isso que não existe amor verdadeiro nos relacionamentos habituais; o amor é sempre provocado por algo que vem de fora.

 

E de repente, quando essa pessoa some, desaparece, nos bloqueia ou deixa de frequentar os lugares que frequentamos, percebemos o quanto uma bela flor aumenta a beleza do entorno — e sentimos sua falta.

 


 

VESTÍGIOS E MIRAGENS

Buscamos vestígios dela, mesmo sem saber seu nome. Chamamos-na por nomes imaginados, inspirados na literatura — Helena, por exemplo — mas não é o verdadeiro nome, como na música do The Ting Tings.

 

As redes sociais oferecem uma imagem, uma miragem que nunca se equipara à verdade. Há coincidências de andarmos pela mesma rua, nos encontrarmos por acaso, passarmos pelos mesmos lugares, vermos os mesmos doces... como se fosse um leve eco do destino.

 


 

DOCE E PROIBIÇÃO

Agora, sempre que vejo um doce, lembro dela. Isso me remete até ao filme Era Uma Vez na América: o protagonista se chama David e vive um amor recíproco, proibido, e que coincidentemente se passa quase na mesma rua em que moram. Como a vida imita a arte.

 

Há aquela cena em que o amigo de David economiza dinheiro para comprar um bolinho recheado em troca de favores sexuais de uma vizinha (ao contrário de quem me refiro, claro), que adorava açúcar a ponto de oferecer seu corpo, mas ainda apreciava o prazer e o desejo. O bolo era tão sedutor que, enquanto ele esperava, o fitava com olhos famintos: primeiro lambia com a ponta da boca a cereja, fruta delicada; depois, lascivamente, com toda a delicadeza da inocência e do desejo contido, ia tirando o papel que envolvia o doce, saboreando lentamente o recheio, até que não se continha mais e devorava inteiro, em êxtase orgástico.

 

É assim que me sinto quando vejo um doce em lembrança dela. Porém, ao contrário do personagem, eu apenas passo vontade.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 28/10/2025
Alterado em 28/10/2025
Comentários