
Engana-se quem pensa que, se eu fizesse um filme de amor, ele seria uma comédia romântica sofisticada — dessas que Woody Allen inventou.
Seria apenas sofisticada.
O argumento é o seguinte: explorar a tese da reencarnação. Começamos com um casal que, em vidas anteriores, era uma alma gêmea. Eles reencarnam num futuro totalmente diferente e se encontram por acaso. O telespectador já sabe, por meio de dicas implícitas — sem que se diga abertamente — que talvez sejam as mesmas pessoas do passado.
Os personagens, porém, não sabem disso. Vão descobrindo aos poucos, passando por todos os percalços até ficarem juntos. Afinal, são almas gêmeas.
O filme começaria no estilo de Lars von Trier, abrindo com Melancolia ao som de Wagner.
Iríamos narrar o mito dos andróginos — seres esféricos, perfeitos, contendo em si ambos os sexos.
Eles se bastavam completamente, até que resolveram subir uns sobre os ombros dos outros para construir uma torre de Babel e tentar chegar aos céus.
Como punição, os deuses decidiram separá-los.
Desde então, é missão de cada um encontrar a parte que falta — sua alma gêmea, a metade da sua alma.
Depois disso, viajamos do passado — a primeira vida — até o futuro distante.
O que acontece entre essas vidas são os diálogos, a matéria de que se faz o cinema.
Coisa de roteirista.
E eu... eu sou apenas alguém que escreve.