
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
São, vejamos, 1955... 45 — conta que eu sou capaz de fazer de cabeça — para chegar aos 2.000.
Contando as cartas que eu escrevi pra ela, que ela gentilmente fez questão de devolver, inclusive me ameaçando de morte caso eu não cumprisse a promessa — mais meus outros perfis que apaguei com raiva — deve dar quase uns 2.100 textos, imagino eu.
Ora, se mesmo me rejeitando ela é a única pessoa que leu tudo o que escrevi até agora — de humor e piadas a crônicas cotidianas, cartas amorosas, artigos culturais e sociológicos, ensaios filosóficos, reclamações, pessimismo, otimismo, alegria, tristeza, mudanças... bom, tudo que significa a vida — e considerando a qualidade intelectual e a abrangência de repertório, além de me “amar”, ela demonstra um tremendo sinal de bom gosto.
Ou então, ela realmente me odeia — e é masoquista — pra continuar lendo, visto que o ódio é mais fiel que o amor...
Mas se ela leu tudo, me conhece profundamente.
Mais do que minha família, mais do que amigos queridos, etc., etc...
Como eu não iria admirá-la?
Dizer “não”?
E pior: como não amar alguém que, mesmo pela ausência, se faz tão presente e íntima a esse ponto?
Eu não escrevo com tinta — escrevo com sangue.
E quem escreve com sangue não quer ser lido... quer ser aprendido de cor.
Eu tatuo o que escrevo no corpo, na alma, de modo indelével.
De certa forma, quem me lê e gosta está em comunhão comigo.
É minha alma gêmea, a minha parte que falta.
Metade da minha alma.
Porque sem você, o presente é pele morta do passado.
Como nem tudo o que sinto cabe em palavras,
o resto deixo em imagens —