× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


SOU ADEPTO DA “CULTURA OSTENTAÇÃO”

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



O ESPELHO QUE MOSTRA O QUE VOCÊ NÃO É

Eu sou adepto da ostentação cultural. E meu modo de vida é como um espelho — um espelho que mostra o que você não é.

 

Às vezes, um espelho revela aquilo que não queremos ver. E eu sou um espelho desconfortável, pois lembro às pessoas aquilo que elas não são — e que talvez seja tarde para mudar. Eu me sentiria mal se estivesse no meio da vida, ou nos estertores dela, e deixasse passar a chance de saber o que deixei de ganhar ou perder.

 

Eu quero ostentar, não bens materiais, mas espirituais. E não falo de religiosidade, mas de uma espiritualidade laica, intelectual.

 

 


 

A CHAMA DO CONHECIMENTO

Tive poucos professores que me inspiraram. Mas hoje, com metade da idade que eles tinham quando me davam aula, possuo certamente um repertório muito mais amplo.

 

Quem é da área de arte ou de humanas, e conhece a fala de seus professores, deve perceber com mais acerto o que quero dizer: a diferença entre seus próprios professores e os meus — entre seus discursos e os meus. Quem estuda cinema ou roteiro deve se espantar e se perguntar: por que meu professor nunca falou disso? Por que não temos aulas sobre isso, se somos do meio audiovisual? Por que não sabemos sobre literatura, história do cinema, da arte, filosofia, sociologia? Como podemos criar algo original se não temos repertório?

 

O resultado do meu conteúdo é consistência intelectual. Não é fruto de estudos esporádicos. Eu consigo decorar conceitos e obras porque ninguém me obrigou — foi uma necessidade que nasceu de mim mesmo. Em determinado momento, eu até tinha certa estabilidade financeira, mas me sentia incompleto diante da minha própria ignorância, de tudo que desconhecia. De certa forma, essa chama ainda me move. Como Sócrates disse: “só sei que nada sei”.

 

 


 

SER UM HOMEM COMPLETO

Porém, a ostentação de cultura pressupõe ser um homem completo — não parcial, que só sabe falar de uma coisa. Alguns são incríveis, mas não têm paixões ou hobbies; não conseguem falar com entusiasmo ou amor sobre nenhum assunto. Essa diferença fica muito clara quando alguém tenta discorrer sobre algo que não conhece.

 

Veja Reinaldo Azevedo: brilhante jornalista de política, mas também professor que fala de literatura e cultura. Contudo, quando aborda cinema, esportes, música ou elegância, percebe-se a distância do que ele ignora. Eu tento ser o oposto: falar com eloquência sobre tudo — um polímata do pensamento, assim como Terêncio, que dizia: “Sou humano, e, portanto, nada do que é humano me é estranho”.

 


 

O ESPELHO DO DESCONFORTO

Algumas pessoas vivem de aprovação imediata e não suportam contraste. Quando encontram alguém que lê, treina, observa e pensa com clareza, sentem vergonha involuntária — porque a simples existência do seu modo de ser já é um lembrete do que falta nelas. Sou um espelho que reflete tudo o que elas não são.

 

Todos conhecem o mecanismo de defesa de quem não quer encarar o espelho:

 

  • Evasão: somem, fingem não ver, param de postar.
  • Bloqueio: eliminam o estímulo que causa desconforto.
  • Desdém mascarado: fazem piadas sobre “quem pensa demais” ou “é intenso demais”.

 


 

O PESO DO MEU AMBIENTE

Há pessoas que se sentem confortáveis com o tipo de ambiente e mentalidade que crio — sentem-se motivadas a melhorar. Mas há outras para quem meu ambiente é nocivo, pois as lembra de tudo que não são, e nem terão força ou coragem para ser.

 

É o mesmo perfil de quem apaga sua conta no Recanto, deixa de postar, ou ironiza “quem pensa demais”. Ou ainda comete o crime da reatividade niilista que Nietzsche denunciava — criando um perfil apenas para criticar, não autores consagrados, mas seus pares de Recanto.

 

Ou de quem bloqueia nas redes para que eu não seja o lembrete de sua mediocridade — ou simplesmente restringe sua conta para não ser avaliado de cima a baixo.

 


 

A PERGUNTA FINAL

Aí cabe a pergunta: de que você quer ostentar?

 

Do vazio — como os “homens ocos” de T. S. Eliot?

 

De bens materiais — essa outra forma de niilismo, uma ostentação sem espírito da matéria?

 

Ou quer ostentar cultura e bom gosto?

 

Os primeiros me ignorarão. Os últimos me usarão como espelho para melhorar.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 27/10/2025
Alterado em 27/10/2025
Comentários