
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Em moda — no mundo da moda — há um termo que nunca sai de moda: OVER.
Todos reconhecemos o perigo quando estamos diante do over. Overdose, por exemplo: os que descobriram o perigo dela não estão vivos para contar.
Ela se manifesta no cotidiano, esse ser atípico tão inimigo do fashionable... no cheiro, por exemplo — ou melhor, no odor.
Quando uma pessoa passa perfume demais, mesmo um com aroma agradável, chega a ficar fedida. É o propósito diametralmente oposto de se perfumar. Às vezes, uma borrifada a mais e ela excedeu o limite do cheiro, entrou no território do over.
Nos looks, isso é muito comum: cores escabrosas, que machucam o olhar; excesso de estampa; a marca da camisa que consegue ser maior que a própria camisa; combinações esdrúxulas.
Não falta criatividade nos transeuntes — e nas pessoas — em cometer barbaridades com a moda.
Os evangélicos, especialmente, são especialistas nisso.
É por isso que gosto de uma marca como a Hering, que tem uma proposta e uma identidade muito claras: roupa simples, por um preço acessível, para usar no dia a dia.
As camisetas costumam ter estampas simples, bom tecido, bom caimento — e por um preço justo.
É difícil encontrar uma peça muito over nessa marca, que está tanto em shoppings refinados quanto nos populares. Cabe em todos os bolsos, e essa adaptabilidade é muito importante.
Ela pode estar ali entre uma grife como Sérgio K ou Dudalina, e oferecer uma camiseta muito mais barata — e, se for ver, foi costurada pela mesma costureira tailandesa que trabalha para as “grifes brasileiras”.
Bem diferente da Insider, que parece focar mais na propaganda — principalmente na internet — e aposta que isso vai impulsionar as vendas (o que, de fato, acontece).
O produto pode até ser confortável, pelo que parece, mas é bem mais caro que uma camiseta Hering. E, pra falar a verdade, a marca se banalizou tanto com essas propagandas que diminuiu o valor agregado dela.
Ninguém usa uma camiseta Insider pensando: “caralho, agora eu vou ostentar, estou de Insider”.
E se ela quiser se posicionar como roupa de treino — confortável — é muito mais barato comprar uma malha simples, sei lá... ou então Nike, Adidas, outro tecido. Ou Shopee mesmo, como eu faço.
Porém, aí é preciso ter bom gosto — algo que os “overs” não têm.
Fico abismado como as pessoas usam camisetas de marcas de suplemento, fazendo ode ao mundo maromba. Costuma ser justamente quem tem o shape mais feio e a maior barriga que usa roupa da Growth, Black Skull, No Pain No Gain...
É impressionante — não consigo imaginar essas marcas patrocinando gente realmente ligada à moda ou ao esporte de verdade.
Atletas de alto desempenho, não fisiculturistas — porque fisiculturismo não é esporte, é aberração.
Para comprovar, basta ver nossa Raissa Leal, que tem contrato com a Samsung, até Chanel... você acha que alguma dessas marcas se associaria com as aberrações desses freaks do fisiculturismo?
Basta ver esse brasileiro que ganhou o Olympia: será que vai ter reconhecimento de marcas grandes, além das underground e de suplemento?
Portanto, não dá pra levar marombeiro e fisiculturista a sério. Eles são a definição do over — inclusive de saúde —, fazendo uso de diuréticos e anabolizantes.
É claro: se a pessoa não tem bom gosto pra roupa, como teria para o shape?
O que é um shape esteticamente bonito?
O conceito de definição é muito claro: não ter nada a esconder — e ter algo pra mostrar.
Não adianta ter músculo se a barriga chama mais atenção que ele.
Ou não ter gordura, mas ser muito magro.
A roupa tem que cair lisa, como num manequim — mas, preferencialmente, ter algo pra mostrar: um bom nível de definição.
Aí entra o autoconhecimento do corpo.
Eu, que não sou volumoso, percebo que camisas e camisetas grandes desvalorizam minha forma — me fazem parecer magro demais.
Em compensação, como tenho pouca gordura, camisas PP, slim, mesmo com pouco músculo, valorizam muito meu corpo, por eu ser esbelto etc.
É claro que algumas roupas a gente ganha, outras comprou em outra fase — então, pra não perder, a gente adequa.
Mas bom gosto, não ser over, é ter consciência do seu corpo ideal e do tipo de roupa que mais valoriza suas formas.
Em todos os casos, acho que a Hering entrega bem essa proposta.
Pra você ficar over vestido de Hering, precisa ter muito mau gosto.
E este texto não foi patrocinado — mas bem que poderia ser.
Hering, patrocina a gente aí, pô.
Ou até a Insider — que eu faço outro texto negando todas as críticas e tecendo só elogios.