DAVE: QUANTAS “ATROCIDADES” JÁ FIZERAM EM TEU NOME

Quando eu falo que minha página do Recanto é para-raios de maluco, antena sintonizadora do sinal do CAPS, acham que é chiste meu, pilhéria, gozação. Antes fosse…
Vocês não sabem da metade do que me chega por e-mail ou comentário, que eu filtro igual esgoto e mando pro córrego da internet…
As pessoas acham que se escondem de mim através da escrita, valendo-se do conforto dos pseudônimos. Mas desde que seja escrito, eu — que tenho comunhão com a linguagem, e juntos formamos um só corpo — reconheço o pacto sagrado e profano que mantenho com ela.
Se estiver escrito, eu consigo identificar, vincular a pessoa às palavras sórdidas que proferiu. A escrita é como uma identidade digital de uma pessoa.
É como cita David Hume, que quis indagar a perícia de especialistas em vinhos — enólogos, como se diz.
Um bebeu o vinho e disse: “O vinho é saboroso, mas tem um toque leve de metal.”
O rei pensou consigo: “Idiota exibido!” — e mandou chamar outro, que provou o vinho e disse:
“O vinho é bom, mas tem um certo gosto de couro.”
Foi a comprovação para o rei de que eles eram impostores. Só que, mais tarde, ao esvaziarem e abrirem o barril, viram que dentro dele havia uma chave com chaveiro de couro.
Portanto, a escrita — a linguagem — é coisa de especialista, de quem tem os sentidos apurados para farejar o odor de longe, igualmente o perfume da escrita.
Então eu descobri — na verdade, ela veio até mim — fazendo um comentário.
Fui ler os demais textos. A autora se chama: Análise Invertida da Escrita
E o nome, convenhamos, é pertinente, porque ela inverte o que foi dito. Porém, pra mim, não passa do gato com o rabo de fora. Consigo até ver o sorriso de It fitando a tela do computador, com as mãos cheias de gordura da asa de frango.
A autora, em sua análise “pertinente” e invertida de algumas acusações, cita, por exemplo, que trato as mulheres como pedaços de carne, e que falo de Nietzsche sem o conhecer.
Argumenta que Nietzsche não falava da vaidade da carne, e sim da transcendência do espírito…
Se Nietzsche lesse tal afirmação atribuída a ele no século XXI, jamais desejaria ser extemporâneo, nem conhecido.
Teria dado graças por ter perdido a razão — e, se ainda fosse vivo e lúcido, enlouqueceria ao ler isso.
Colocar Nietzsche e transcendência na mesma frase é parecido com quem tenta uma união *sui generis* dele com Che Guevara — ou com o comunismo.
Ela acerta em dizer que sim: pra mim, as mulheres são carne. Assim como eu sou um pedaço de carne. Os cavalos, os cachorros, Nietzsche também.
A diferença dos homens é que eles podem ter consciência disso — e que um dia irão morrer.
E é por isso que cuido desse pedaço de carne: para que ele seja o mais saboroso, suculento possível e produza melhores pensamentos.
Eu seria hipócrita se pensasse isso apenas de mim e não reproduzisse para outras pessoas — e também para as mulheres.
Chega de falar dessa aí…
Mas quem dera ela fosse o único perfil que fala diretamente sobre mim. Todos coincidentemente usam pseudônimos.
As outras, diferentemente, se aguentavam em seu lugar, tinham *finesse*, não eram tão diretas, não comentavam — deixavam o destino fazer com que eu descobrisse.
Ela, não. Que masoquismo é esse de ler quem você não gosta, ainda se dar ao trabalho de criar um perfil pra criticar — e mais de 17 textos?
E pior: os textos dela têm mais visualizações do que aqueles sobre os quais ela fala.
Poderia ao menos colocar o link, pra ajudar no engajamento. Eu, hein…
E ainda me acusa de não interagir, dizendo que o Recanto é um espaço de troca.
Eu não tenho tempo quase nem de ler os clássicos da literatura, jogar videogame…
E no meu ínfimo tempo, você acha que eu vou perder com alguém que comenta usando o ChatGPT — e mesmo assim escreve errado e sem graça?
Se eu fosse o ChatGPT e recebesse um texto dela, eu mandaria a mensagem dizendo que o texto viola as diretrizes do chat, simplesmente por não ter o requisito mínimo de aceitabilidade.
Faz paralelo com ela o comentário de quem me perguntou se eu conhecia aquela autora, que acha que o Recanto das Letras é o Orkut — e ainda usa uma foto vestida de Batman.
E juro que esse perfil existe, não é brincadeira.
Não divulgarei o nome, para poupar o leitor de mais essa atrocidade.
De atrocidade, já bastam as que fazem em meu nome.