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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

O INSTINTO DE MORTE VENCERÁ O HOMEM

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

A LEI DA DESORDEM

A segunda lei da termodinâmica dá conta do seguinte:

 

“Todo sistema isolado caminha espontaneamente em direção à desordem, ao equilíbrio térmico e à perda de diferenciação — o estado de máxima entropia.”

 

Em outras palavras, a natureza não busca ordem — ela apenas a tolera temporariamente, enquanto houver energia disponível para sustentá-la.

 

Quando essa energia se esgota, tudo se dissolve: calor, forma, estrutura, até mesmo a consciência.

 

É a lei do esgotamento inevitável.

 

Ou, como disse Schrödinger — o mesmo do famoso experimento do gato vivo e morto ao mesmo tempo —:

 

“A vida se mantém viva lutando contra a entropia.”

 


 

ENTROPIA, THANATOS E A LEI DO FIM

Mas o que significa entropia?

 

Entropia é o desajuste, o desalinhamento da matéria em direção ao seu estado inicial. Podemos associá-la à morte, ao Tânatos da mitologia grega, ao instinto de morte freudiano.

 

A tendência de todo sistema é a máxima entropia — ou seja, a sua própria extinção.

 

Mas, se há entropia, quem organizou o sistema?

 

Deus parece a resposta mais fácil. Mas também a mais vulgar — porque, afinal, de onde veio Deus?

 


 

O UNIVERSO COMO ACASO IMPROVÁVEL

Para explicar melhor, recorramos à literatura de Douglas Adams, em O Guia do Mochileiro das Galáxias.

 

Nela, há uma nave movida por um motor de improbabilidade infinita: ao calcular todas as probabilidades possíveis, ela pode viajar longas distâncias instantaneamente.

 

Nesse sentido, o universo, sua homeostase e sua ordem lógica são apenas uma improbabilidade estatística.

 

Imagine jogar uma moeda cem vezes. A probabilidade de cair cara e coroa alternadamente tende a 50%. Mas, ainda que seja possível sair cem vezes “cara” seguidas, é extremamente improvável.

 

A natureza, em sua vastidão, apenas jogou por tempo o suficiente para que o improvável acontecesse.

 


 

O BIG BANG COMO ACIDENTE DE ORDEM

Se a quantidade de matéria é finita, e o tempo (assim como o universo) é infinito, então todas as formas possíveis de organização da matéria inevitavelmente acontecerão.

 

E foi assim que surgiu o Big Bang.

 

Antes, só havia energia em movimento aleatório. Até que essa aleatoriedade produziu algo compreensível — uma improbabilidade estatística que gerou a vida, o universo e tudo mais.

 

Deus, portanto, pode ser entendido como a energia primordial, mas jamais o deus de barba branca das religiões.

 


 

O UNIVERSO COMO CONSCIÊNCIA EM EXPANSÃO

Recebi certa vez um comentário curioso: “O Universo poderia abrigar todos os teus escritos.”

 

Isso faz sentido. A inteligência do meu universo — isto é, minha consciência — faz parte do Todo, desse grande cérebro de força condensada que se espalha e se reconhece.

 

Talvez a Terra também tenha sido organizada por essa inteligência.

 

Como diz Douglas Adams, era apenas um computador criado por seres pandimensionais — os ratos — para calcular a resposta definitiva sobre a vida, o universo e tudo mais.

 

Mas, segundo a história, o planeta foi destruído minutos antes de concluir o cálculo, por estar no caminho de uma via intergaláctica.

 

De todo modo, a resposta já estava pronta — e era simples:

 

42.

 


 

O CORPO E A ENTROPIA DA EXISTÊNCIA

Não é difícil constatar que o corpo caminha para a entropia da morte.

 

A única certeza é a morte. A vida, por outro lado, não é garantida.

 

Quantos já não nasceram mortos? E quantos seguem mortos mesmo vivendo?

 

Nietzsche veria em Sócrates um homem com um problema contra a vida — um descontente, sintoma de uma filosofia que nega o mundo real em favor do mundo das aparências.

 

Mas a vida sobrevive. A própria guerra demonstra isso: contraditoriamente, ela expressa a vontade de potência se expandindo e enfrentando resistências.

 

Mesmo na ferida, o corpo produz as condições para se curar.

 


 

A DOENÇA CONTRA A VIDA

Alguns organismos, porém, são patologicamente doentes — como Sócrates e tantos crentes — que, pela incapacidade de se curarem, adquirem uma doença autoimune contra a própria vida.

 

Criam anticorpos contra a realidade, negando-a em troca da pregação da morte — tudo aquilo que é contrário à vida.

 

Refugiam-se em ideias e mundos que não podem ser comprovados: Shangri-lá, Nirvana, Paraíso, Socialismo...

 

Tudo sintomas do instinto de morte, provas de que todo sistema caminha inevitavelmente para sua máxima entropia.

 


 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 22/10/2025
Alterado em 22/10/2025
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