
Alguns nomes são tão belos que quase podemos associar a beleza do nome à pessoa que o porta — ou, ao contrário, torna-se impossível dissociá-lo. O nome compatível com a beleza de quem o tem parece potencializar a beleza de ambos.
Maria Clara. Nome tão bonito da garota que dilacerou o coração de Espinosa, mas ao mesmo tempo fundou, sem saber, a base de Eros — o amor pelo que falta. Toda uma filosofia, que convenhamos, poderíamos chamar de “espinosiana dos afetos”.
E Maria Clara é um nome tão bonito que é possível imaginar a beleza arrebatadora que trouxe tanta tristeza ao coração de Espinosa.
Agora, imagine um nome que une o de Maria com o de Anita. O resultado é esperado. E seus pais, como prevendo o futuro — como as Greias, que revezam o olho entre três para prever o destino, ou as bruxas de Macbeth — decidiram batizá-la de Anita com apenas um “t”, ao contrário da cantora.
O filme-documentário que Ettore Scola — diretor consagrado pelo filme muito apropriado a esse texto, aliás, chamado “Nós que nos amávamos tanto” — fez em homenagem à gloriosa carreira do cineasta mais importante da Itália, e um dos maiores de todos os tempos, Federico Fellini, chama-se: “Que estranho chamar-se Federico”.
O documentário conta as origens circenses da carreira de Fellini — como ele trabalhou em televisão e levou tudo isso para sua trajetória brilhante no cinema.
Agora, eu vou fazer um paralelo impressionante, e talvez inesperado até para quem escrevo — e nem sei se lerá este texto, mas não importa. O que importa é o texto em si. E ele não pode ficar ruim, para não prejudicar a reputação da homenageada.
É que Ariano Suassuna, da Paraíba, glorioso estado do Nordeste, também era fascinado por circo — o que gostava de lembrar a todo momento em seu curso sobre a História da Arte.
E tudo está ligado, acreditem: João Pessoa, Fellini, Ariano Suassuna, Anita, Brilhante, eu (e o circo, obviamente).
E não que eu seja o palhaço.
Juro. Com amor…
david