
Cadê meu lugar de fala, sociedade?
Eu sou amante das mulheres — o maior defensor e amigo delas — e quem mais apropriadamente, do que um amante do belo sexo, poderia falar sobre as agruras de sê-lo?
No meu último texto, dei um conselho aos jovens, baseado na visão de colegiais de um prestigiado colégio.
E quem eu vejo na academia?
Uma colegial vestindo o agasalho do colégio — que, aliás, fica um pouco distante dali.
Eu faço o percurso a pé, porque já estou acostumado (maluco).
Dá pra ver que ela é bonita, mas, sem falar, sabemos por que está na academia: ela é chubby, cheinha, gordinha.
Precisaria de um bom cardio.
O cardio é amigo das mulheres — mas parece que as mulheres, infelizmente, não são amigas do cardio.
Então imagine essa jovem bonita, mas cheinha, envolta de belas colegiais da idade dela.
O que sobra pra ela?
Envenenar o bolo das amigas?
Sentir inveja?
Ou apelar e aceitar um desses garotos do bairro, só pra não ficar sem ninguém?
Aliás, a maioria faz isso…
Eu falo das mulheres porque as entendo.
Não que eu me dê bem com elas — mas as entendo.
Eu sei que você, minha leitora, os parceiros mais atraentes que teve ficaram lá, na época do colégio — tenho certeza.
Os homens conseguem a proeza de envelhecer e ficar ainda mais idiotas que antes.
As mulheres, mesmo jovens, são mais maduras.
Por isso, às vezes, preferem homens mais velhos.
Mas, infelizmente, sua aparência não permanece.
E é tão difícil ser jovem.
O algoritmo não ajuda.
Das plataformas de streaming às redes sociais, tudo reproduz o mesmo universo achatado que já faz parte da vida dela.
Como crescer desse modo?
Bom… ela cresce pros lados, se entregando aos alimentos superpalatáveis.
Quem me vê assistindo a filmes em preto e branco só pode pensar que é coisa de velho.
Mas é claro que os clássicos são atemporais.
Quer uma obra mais jovem que O Retrato de Dorian Gray ou O Retrato Oval, de Edgar Allan Poe?
As jovens só precisam se expor às aventuras e às pessoas certas — e não falo do parceiro sexual contumaz, o mulherengo capaz de levá-la a múltiplos orgasmos como em Pobres Criaturas.
Seria muita sorte…
A nouvelle vague, com seu espírito de liberdade, foi feita por jovens — e os filmes continuam jovens: Irreversível e Acossado são a prova disso.
Na época de Godard, as jovens parisienses queriam falar, se vestir, até mobiliar o apartamento como se fosse um filme de Godard.
Hoje, se baseiam em Virgínia, Neymar, Whindersson Nunes… ou em algum trapper qualquer.
Como ter esperança?
É difícil pra elas também — sem uma influência positiva que as leve ao orgasmo não só do corpo, mas do espírito.
Estou na metade de Pobres Criaturas.
Quem conhece meu gosto sabe como é difícil eu tolerar certas cenas — pra mim, totalmente desnecessárias.
Mas sobre elas eu vou falar depois…
Me parece que Bella percebeu isso.
Porque ela é um espírito livre: sentiu o prazer da carne, mas, pra alguém inteligente e bonita, é preciso mais.
Ela já se deslumbrou com a música barroca portuguesa…
Bella está conhecendo o verdadeiro orgasmo.
Vamos ver como acaba.