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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


MEU CONSELHO AOS MAIS JOVENS:

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



O PESO DA JUVENTUDE

Como alguém de 24 anos pode dar um conselho a alguém mais jovem?

(Visto que 1991 é apenas o melhor ano do rock — por isso uso no meu Instagram.)

 

Não irei parafrasear a frase sábia de Nelson Rodrigues, mas repeti-la com a reverência de quem compreende o que ela contém de tragédia e lucidez:

“Jovens, envelheçam.”

 



O PRIVILÉGIO E A DECADÊNCIA

Na minha caminhada, acontece de eu passar em frente a um prestigiado colégio — um dos melhores possíveis da região, símbolo do privilégio particular.

Vejo o reflexo desse privilégio nos rostos dos jovens — mais apropriadamente, das belas colegiais — e isso me remete a um período tão bom da minha vida.

 

Esses garotos, penso, ocuparão cargos de prestígio no futuro… e isso me preocupa.

Não porque seja um saudosista que acredita que “antigamente era melhor”, ou que eles sejam muito piores do que na minha época, ou na do meu irmão, dos meus pais, do meu avô que jamais conheci… talvez não…

 

Naquela época, a produção e a velocidade ainda não haviam entorpecido o intelecto.

Era o tempo de Nelson Rodrigues, quando ainda havia pausa, densidade, tragédia e reflexão.

 


 

BELA BAXTER E A ARTE DE VIVER

Meu conselho é que os jovens façam como Bela Baxter, do filme Poor Things (que pretendo resenhar assim que conseguir terminar — ou ao menos criticar com alguma imparcialidade, tarefa difícil).

 

Bela desfruta da vida enquanto ainda é jovem.

Vivam. Tenham orgasmos. Namorem mesmo. Aproveitem.

Principalmente as jovens mulheres, porque a juventude nelas é efêmera, e a velhice — ou, digo melhor, o simples fato de se tornar “balzaquina” — costuma ser implacável.

 

Elas não conseguirão pretendentes melhores que esses jovens seletos e prestigiados.

Aos trinta, já terão cometido o erro de se relacionar não mais pelo prazer ou pela beleza, mas por interesses — amargando uma vida anódina, como aquela que espera Bela Baxter no castelo do Dr. Frankenstein, o Prometeu pós-moderno e atualizado.

 


 

O HOMEM E O TEMPO

A velhice, às vezes, no homem, costuma ser mais digna.

O tempo é menos implacável — se ele fizer o mínimo, que é se cuidar e ser interessante, ser boa companhia.

 

Mas o problema é que a maioria nem isso consegue.

Não consegue ser o básico.

O mínimo.

 



A PRISÃO DO TEMPO

Por isso, meu conselho é simples:

Vivam a vida na inocência, sem se deixarem sequestrar pelas instituições do tempo — o trabalho, a faculdade, o mundo da técnica, da utilidade.

 

Não se deixem aprisionar pela moral do rendimento, pela felicidade produtiva, pela pressa de amadurecer.

Ser jovem, bonito e bem-nascido não é um privilégio para todos.

 

Se eu fosse vocês, desfrutaria ao máximo — até chegar o tempo em que poderão legar suas próprias misérias, cometer suas próprias cagadas, em vez de apenas repetir as cagadas dos seus pais.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 20/10/2025
Alterado em 20/10/2025
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