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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


BRASIL: O PAÍS DAS ANITTAS E DAS VIRGÍNIAS

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



O BERÇO E AS MUSAS

Cada país é conhecido pelos artistas que merece.

 

Se os jônios — aqueles gregos que colonizaram as costas da Ásia Menor — são o berço onde nasceu a filosofia, com suas pequenas cidades de vinte mil habitantes, dali emergiram intelectos da envergadura de Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito. Diz-se que até a pré-filosofia, a mitologia, floresceu ali: Hesíodo e o próprio Heráclito teriam nascido também na Jônia.

 

É curioso que Hesíodo abra a Teogonia atribuindo sua inspiração às Musas, filhas de Zeus com a deusa da Memória, Mnemosine — forças inspiradoras das artes, da poesia e do pensamento humano.

 

Mas, no Brasil… o que será que inspira o sucesso de Anitta e Virgínia?

 


 

AS NOVAS MUSAS

Na academia, vejo algumas pequenas “Vírginias”. Nem “Anittas” são, porque a Anitta ainda tem o mérito de tentar cantar e rebolar. Já a Virgínia… nem isso. Trabalha apenas com o corpo e com a aparência — e com seus “Zés Felipes”, só que anônimos.

 

Mas, para cada Virgínia que dá certo, há 99% que só se parecerão com ela na adolescência e no início da vida adulta — até engravidarem precocemente do “Zé Felipe da Periferia”, sem dinheiro e sem fisiologia que acompanhe o envelhecimento.

 

Ao contrário da Virgínia, que, graças ao dinheiro, sustenta sua ignorância com conforto.

 


 

O PLOT TWIST

Mas aqui vem o plot twist: como pode, no país das Anittas, surgir outra garota — uma homônima da cantora famosa — tão bonita ou mais, mas que representa a antítese da Anitta e das Vírginias?

 

O Brasil parece mesmo ser a terra onde “em se plantando, tudo dá”.

Mesmo nos ambientes mais inférteis, nasce uma flor rara.

Uma orquídea.

Essa outra “ANITA” faz parte do Brasil que deu certo.

 


 

O OBSERVADOR NA MONTANHA

Ou mesmo eu, que, de certa forma, contemplo tudo isso dos altos ares da montanha, como Nietzsche.

 

As semelhanças entre minha vida e a do alemão são muitas.

As diferenças?

Sou, obviamente, mais bonito e atlético, e tive mais sucesso com as mulheres.

 

Mas igualmente sofri de amores mal correspondidos, como ele com Lou Salomé.

A diferença é que o meu amor era a Lou Salomé, só que ao contrário — talvez a semelhança resida apenas no branco dos olhos, e olhe lá.

 

Ambos filhos de famílias de tradição protestante, ambos com familiaridade com a linguagem, ambos extemporâneos. Gostamos de andar, temos uma feição pelo histrionismo, expressão da nossa vontade de potência.

 

Dá até para comparar meu diagnóstico de dependência com a sífilis que ceifou sua razão — com a diferença de que eu irei me recuperar.

 

Pois eu sou brasileiro.

 

E o “brasileiro”, afinal, é esse ser improvável que, entre a ruína e o renascimento, continua — com humildade, sem perder jamais a ternura, a altivez e, sobretudo, o bom gosto inato. 

Mas este é o Brasil que deu certo. O das Anittas, com dois “t”, e das Virginias é o que deu errado.

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 17/10/2025
Alterado em 17/10/2025
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