
Assim como Raskólnikov, após um longo tempo de martírio, eu não consigo mais sustentar esse peso.
Preciso confessar: fui eu que matei a Odete Roitman.
Eu não aguentava mais ver os brasileiros desperdiçando energia debatendo essa novela. E, apesar de nunca ter assistido a um único episódio, entrei no Projac e matei aquela velha — com golpes de machado!
Como se tratava apenas de um objeto cenográfico, o crime deu ainda mais trabalho… o que, convenhamos, o torna mais passional e a morte, mais sangrenta.
Mas veja bem — além de fazer o bem e encerrar a maldita dúvida nacional, acho que provei ser um homem extraordinário, confirmando a tese de Raskólnikov.
No fim das contas, fiz um bem para o Brasil.