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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


O PÓDIO DO MEU CORAÇÃO:

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Apesar do título, este é um texto-homenagem.

Uma entrega simbólica da medalha de ouro, no pódio, a quem realmente merece.

 

Mas aqui só há uma vencedora — e as outras duas são apenas perdedoras.

Não glamorizemos a derrota.

 


 

AS PROFISSÕES COMO PRISÕES

Se uma pessoa decide livremente deixar de ser ela mesma para se tornar sua profissão, então eu faço questão de me referir a elas como “a médica” e “a advogada”.

 

A médica, eu estendi a mão para ajudá-la no Titanic em que estava, mas ela preferiu tocar violino — e o pior é que sua profissão nem tem o charme de ser artística, como as dos violinistas. No máximo ela toca realejo. 

Pode ser que, depois dos últimos textos, ela nem me leia mais.

O que mostra que ela não amava outra coisa senão a aparência; não me amava de verdade, nem os valores que dissemino na minha página — cultura, arte, entretenimento, beleza.

 

Meu conteúdo não é para qualquer um.

Algumas pessoas não têm capacidade para entender, mesmo eu pasteurizando e mastigando.

Algumas simplesmente não são do ramo.

 

Eu não sou como o deus Dionísio, que achava graça nas orelhas pequenas de sua amante Ariadne e as puxava para ver se ela conseguia entender melhor.

Eu não sou capaz de produzir orelhas melhores.

Sou apenas responsável pelo meu próprio conteúdo.

 

E as decisões dela — o medo, o mascaramento da verdade, o fingimento de desdém enquanto naufraga junto com as amigas — são mostradas pelos sintomas de suas imagens.

 

Ora, médicas se encontram aos montes.

Mas uma artista, alguém que escreve poesia, que tem conteúdo e ainda é bonita — isso é raro.

Isso não se vê todo dia.

E não é o caso dela, definitivamente.

 

Você acha que eu deixaria meu filho nas mãos de uma médica cuja imagem não reflete saúde, que não sabe se comunicar?

Agora, eu confiaria a vida dele na primeira médica que fosse o exemplo de coerência e essência.

 

É por isso que eu não consigo sentir ciúmes dela — nem de seus pretendentes — e nem ódio.

Porque o ódio é mais fiel que o amor.

O que sinto é apenas indiferença, talvez raiva.

 


 

A JURISCONSULTA E O TÉDIO

É como a jurisconsulta, que fora da advocacia até tem talento com as palavras, mas que aceita como homem o primeiro que sabe de cor um artigo do código penal — mesmo que seja vinte anos mais velho — desde que seja tão desinteressante quanto as leis.

 

O que ambas têm em comum é que, quando eram interessantes, era quando eu exercia uma influência positiva.

É por isso que eu tenho que resgatá-las da banalidade — senão acabam com o primeiro idiota que aparece, o que costuma ser vários.

 

Aí já não escrevem mais.

Aí já são apenas suas profissões.

 


 

A GAROTA DO NOME PROIBIDO

Muito diferente da garota com nome de seriado proibido para menores, um nome que une um mais antigo com um novo — símbolo do charme antigo e da modernidade.

 

Com o cabelo tão dourado que Teseu poderia usá-lo para fugir do labirinto do Minotauro.

Seus cachos loiros são tão bem cuidados, e devem ser tão cheirosos, que só de ver a foto eu quase consigo sentir o perfume mesmo sem tocar.

Minha vontade instintiva é deslocar os fios para o lado e beijar sua nuca, aspirar seu cheiro por completo.

 

Se ela me lê — como parece — eu teria que escrever de smoking, como um pianista, tamanha a elegância dela.

 

E ela sim é coerente, autêntica — pela aparência e pelo espírito.

Convenhamos: apesar das outras duas serem incrivelmente belas, ela é mais.

De corpo, rosto e, principalmente, de alma.

 

Ela estuda arte.

Não tem redes sociais.

Não se presta à popularidade útil.

Mesmo que isso lhe traga o anonimato, até a miséria — mas nunca a espiritual, porque quem tem alma grande tem tudo.

 

O único senão é que eu gostei dela pelo que ela escreve, não pelo fato dela me ler.

É claro que, se há um 69 de identificação, é o melhor do mundo.

 

E eu queria lê-la por completo.

Lê-la da cabeça aos pés.

Até aprendê-la de cor, até ser capaz de recitá-la de memória.

 

Mas talvez o privilégio e prazer em lê-la, ainda que sob pseudônimo, num dia em que eu estava triste —

sabe aqueles dias, como em Pierrot le Fou, de Godard, em que você só conhece idiotas e começa a desconfiar de si mesmo?

 

Li algo engraçado num perfil do Recanto que me fez acreditar novamente na vida, na arte, no amor, na inspiração.

 

E quem me lê sabe: a beleza e a inteligência me deixam mais excitado do que qualquer Viagra.

 

Ela e eu formaríamos um casal (impossível?) que parece ter saído direto de um filme de Godard.

 

É dela, o pódio de primeiro lugar.

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 15/10/2025
Alterado em 15/10/2025
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