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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


OVÍDIO, FOI A PRIMEIRA MULHER FEMINISTA NA HISTÓRIA

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

O que as feminazis vão dizer? Visto que a primeira feminista da história tinha pênis e não era travesti.

 

Era, na verdade, um homem cis, branco, quase aristocrático — pelo menos de espírito.

Um sujeito de temperamento cândido, refletido em sua escrita, mas que ao mesmo tempo contrastava com o fervor com que amava.

 

E amava uma única mulher — e a ela era fiel: o amor.

E, através do amor, ele amava todas as mulheres.

 


 

O CANTO DAS MULHERES NA ROMA ANTIGA

Em A Arte de Amar, Ovídio mostra esse amor pelas mulheres, oferecendo a elas não apenas as ferramentas para conhecerem as estratégias de sedução masculinas, mas também um papel igualmente importante no jogo da sedução — dedicando-lhes um capítulo exclusivo, numa sociedade totalmente machista e patriarcal como a Roma antiga.

 

Ovídio foi um poeta, e escreveu seus livros em forma de poemas, assim como aqueles que admirava — e admirava, talvez influenciado pelas musas, como Hesíodo, Homero e seu contemporâneo Virgílio.

 

Por isso, suas obras são cheias de lirismo e citações à mitologia grega, o que torna a leitura extremamente agradável.

Ele tem livros dedicado ao amor (A Arte de Amar e Do Amor), mas outro dedicado à mitologia (As Metamorfoses, Fastos), que são os que li.

 

E aqui há de se destacar a importância da tradução, porque embora em poema a leitura já seja agradabilíssima, o trabalho de adaptação da edição de bolso transformando poesia em prosa virou minha versão predileta — e a que mais gosto de ler.

 

Talvez falte um trabalho semelhante na Divina Comédia, que é um livro fantástico, mas muito difícil, travado — pra não dizer chato — de se ler.

 


 

A ARTE DE AMAR

No livro, além do lirismo, há graça e sutileza na escrita — não obstante as contradições, por exemplo, nos trechos que compartilho a seguir:

 

“Foi você, Rômulo, quem primeiro jogou a emoção nos olhos, quando o rapto das Sabinas fez a felicidade de seus homens, privados de mulheres.

Então, um véu não cobria o teatro de mármore, e a cena não era regada pela essência vermelha do açafrão.

Nesse momento, as ramagens colhidas no bosque do Palatino e dispostas com simplicidade faziam um fundo de cena onde a arte não interferia.

Sobre os degraus do gramado sentaram-se os espectadores, que, com uma folhagem qualquer, protegiam sua cabeleira hirsuta. Cada um olha para trás, localiza com os olhos a mulher que ele deseja e roda silenciosamente mil pensamentos em seu coração.

Enquanto ao ritmo rústico de um tocador de flauta toscana, um saltimbanco dá três pancadas com o pé no chão batido, em meio aos aplausos (os aplausos eram então espontâneos), o rei dá a seu povo o sinal esperado para capturar a presa.

 

No mesmo instante, eles se precipitam com gritos que traem seu desejo e colocam suas mãos ávidas sobre as virgens.

Como vemos frente às águias fugirem as pombas, e, pelo aspecto dos lobos, fugir a ovelhinha, também as moças, bando muito medroso, mostraram seu temor perante esses homens que se precipitaram contra todas as leis.

 

Nenhuma conservou suas cores; pois todas temiam, ainda que o medo não se mostrasse da mesma maneira.

Umas arrancam os cabelos, outras continuam sentadas sem sentidos; algumas ficam mudas pela dor, outras chamam em vão sua mãe; uma se queixa, aquela está louca; esta aqui fica parada no lugar, aquela lá começa a correr.

 

Arrastamos à força essas mulheres, presa destinada ao leito nupcial, e muitas se embelezaram com seu próprio medo.

 

Se alguma delas se mostrava muito rebelde e repelia seu companheiro, o homem a levantava, a carregava, apertada com paixão contra seu peito e lhe dizia:

“Por que estragar com lágrimas seus lindos olhos? O que seu pai é para sua mãe, eu serei para você”.

 

Rômulo, somente você soube dar essas oportunidades aos soldados; dê-me as mesmas oportunidades e eu serei soldado.

É certamente por fidelidade a este antigo costume que, ainda hoje, o teatro está cheio de armadilhas para as belas.”

 

— Fim de citação.

 


 

“Ó quatro vezes feliz e um número incalculável de vezes, aquele que a amante geme ao se ver traída, e que, quando seu ouvido a informa de uma falta que ela gostaria de duvidar, desmaia; desgraçada! Ela perde ao mesmo tempo a cor e a voz.

 

Quem me dera ser aquele pelo qual seu furor arranca os cabelos!

Quem me dera ser aquele pelo qual suas unhas arranham suas faces delicadas, a quem ela não possa ver sem chorar, a quem ela olha com um olhar selvagem, sem o qual ela não pode viver, mas queria poder viver!”

 

— Fim de citação.

 


 

“É para os pobres que eu componho esse poema, porque, pobre, eu amei; quando eu não podia dar presentes.

O pobre deve ser circunspecto em seu amor; ele deve afastar toda palavra inconveniente; ele deve suportar bem as coisas que um amante rico não suportaria.

Lembro-me que num momento de cólera, eu despenteei os cabelos de minha amante: quantos dias me furtou esta cólera!

Não me lembro de ter rasgado sua túnica e nem o percebi; mas ela o afirmou e eu tive que lhe comprar outra com meus dinheiros.”

 

— Fim de citação.

 


 

“E quando, não faz muito tempo, César nos ofereceu a representação de um combate naval, onde apareceram barcos persas e barcos das crianças de Cecrops, nos quais vieram homens de um e de outro mar, e mulheres de um e de outro mar!…
 

…Eis que César se dispõe a dominar o que resta do universo; agora, as extremidades do Oriente serão nossas.

Os partas serão castigados. Rejubile-se, Crasso, em sua sepultura, e vocês, insígnias, que infelizmente tombaram nas mãos dos bárbaros. Seu vingador chegou; desde os seus primeiros anos ele promete um chefe, e, criança, ele comanda guerras acima das capacidades de uma criança.

 

Almas tímidas, não tenham o trabalho de contar os aniversários dos deuses; nos Césares, a coragem ultrapassa os anos.

Seu gênio celeste se revela antes da idade, e mal suporta o dano e a lentidão do tempo.

 

Ele era ainda pequeno, o herói de Tirinto, e suas mãos sufocaram duas serpentes, e desde o berço ele já era digno de Júpiter.

E você, sempre criança, como foi grande, Baco, quando a Índia vencida temeu sua lança!

 

É sob os auspícios e com a alma de seu pai, criança, que você irá comandar a armada, e você vencerá sob os auspícios e com a alma dele.

Semelhante começo convém a um tão grande nome, você que hoje é o príncipe da juventude deve sê-lo um dia dos velhos.

 

Você tem irmãos; vingue a injúria feita a suas irmãs.

Você tem um pai; defenda os direitos dele.

Aquele que lhe deu as armas é o pai da pátria, que é também a sua; o inimigo, ele, sequioso de poder, sacrifica o pai.

 

Você levará as armas sagradas, ele, as flechas do perjúrio.

Veremos perante seus estandartes marchar a sagrada justiça.

Inferiores pela causa, que eles possam ser inferiores também pelas armas!

 

Que meu herói traga ao Lácio as riquezas do Oriente.

Deus Marte, e você, deus César, dê-lhe seu apoio divino, pois, de vocês dois, um é deus e outro o será.

 

Sim, eu tenho um presságio: você vencerá, e eu prometo compor um poema em sua honra, em que minha boca encontrará para você tons eloquentes.

Eu o descreverei inteiramente armado, exortando sua armada com um discurso que imaginarei; contanto que minhas palavras não sejam indignas de seu ardor!

 

Eu descreverei os partas voltando as costas, os romanos mostrando seu peito, e as flechas que, do alto de seu cavalo, o inimigo lança enquanto se afasta do combate.

Você que fugiu para vencer, ó parta, que deixa então ao vencido? Ó Partia, infelizmente é um presságio funesto que Marte, seu deus favorito, tem para você.

 

Pois nós veremos esse belo dia em que você, o mais belo dos mortais, avançará coberto de ouro, puxado por quatro cavalos brancos.

Veremos passar diante de você os generais, o pescoço coberto de correntes, para que eles não possam, como antes, procurar sua salvação na fuga.

 

A esse espetáculo assistiremos cheios de alegria e de confusão, moços e moças, todos com o coração dilatado nesse dia em que você triunfará;

se uma delas perguntar o nome dos reis, ou ainda quais são os lugares, montanhas, riachos que estão representados, responda sempre; não espere as perguntas; mesmo quando não saiba, fale como se conhecesse a coisa a fundo.

 

Eis o Eufrates, a fronte cingida de junco; aquele que tem esta longa cabeleira azul-escura é o Tigre; desses que vêm, diga que são os armênios; esta mulher é a Pérsia, de quem o primeiro rei foi neto de Danai; eis uma cidade que existiu nos vales de Aquemênides.

 

Este cativo ou este outro eram generais; e você achará nomes para pôr neles — exatos, se puder, ao menos verossímeis.”

 

— Fim de citação.

 


 

“Os próprios fóruns — quem poderia acreditar? — são propícios ao Amor, e, sendo tão brilhantes, muitas vezes uma chama nasce ali.

 

Aos pés do templo de mármore consagrado à Vênus, a ninfa Ápia toca o ar de águas que jorram.

 

Neste lugar, muitas vezes um jurisconsulto se torna escravo do Amor, e aquele que pediu aos outros para tomar precauções não as toma para si mesmo.

 

Muitas vezes, neste lugar, um bom orador não consegue encontrar palavras; novos interesses vêm ocupá-lo e é sua própria causa que o faz pleitear.

 

De seu templo, bem perto, Vênus ri dele: instantes atrás ele era o mestre, agora ele deseja ser não mais do que dócil discípulo.”

 

— Fim de citação.

 


 

E bom… deixar eu parar por aqui, senão vou acabar escrevendo o livro todo.

A minha parte eu fiz — o resto é com vocês.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/10/2025
Alterado em 14/10/2025
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