
O conhecimento é como um filme do Clint Eastwood — daqueles western spaghetti dirigidos por Sergio Leone. Clint chega à cidade, desafia o sujeito mais temido da taverna, e mesmo sem que ninguém o conheça, ele saca a arma mais rápido e acaba com tudo.
O conhecimento é esse gatilho rápido. É sacar a arma antes do adversário.
Quem sabe mais mostra quem manda no lugar.
Se impõe.
E bota tudo pra quebrar — até mesmo põe o xerife pra correr…
Tive mais um entrevero na internet. Vocês sabem — eu sou como naquela música do Matanza: “é impressionante como eu nunca faço nada, é a confusão que vem até a mim…”
O Paulo Muzy postou, parabenizando o brasileiro que ganhou o Mr. Olympia, falando das concessões, do esforço, da privação de sono, do treino, da dedicação — e que tudo isso se refletia numa rotina exemplar cujo resultado aparecia dentro do palco.
Aí eu não me aguentei e tive que comentar:
“E cada picada de anabolizante?”
Pronto. Parecia que eu tinha atacado o Ayrton Senna.
Vieram dizer que, mesmo tomando, eu não teria 10%, que eu não entendo o esporte.
E o pior: fui ver de quem vinham os comentários. É impressionante como é o reflexo das minhas velhas inimigas do Recanto — argumentos ad hominem, gente que não sabe escrever. Fui ver a aparência: todos gordos, sem shape. E até médicos, defendendo anabolizantes.
Aí eu só pude ironizar e fazer piada.
Não dá pra levar a sério.
Segui a via da sátira — à moda de Machado de Assis.
Disse, então, que o sucesso do esporte era ter genética pra aguentar bastante picada… se ele aguentava também.
Falei que aquilo não era esporte.
Era “Um Artista da Fome”, de Kafka (e ironizei dizendo que não era kafta de comer) — só que às avessas.
O cara passava fome pra se exibir.
E ainda comentei que o Nobel de Literatura tinha acabado de acontecer — e os caras discutindo um sujeito de tangas, no palco, que usa drogas.
Vish, ficaram malucos.
Mas contra fatos — humor, inteligência e conhecimento — não há argumentos.
Fiz questão de reconhecer a natureza da competição:
que todo mundo usa anabolizante, que não é esporte se todos usam,
mas reconheci a importância do prêmio, o mérito do competidor, a dedicação, que, afinal de contas, é o trampo do cara.
O meu é criticar a sociedade. É como disse João Saldanha sobre o presidente Médici: eu não escalo o ministério dele, e ele não escala o meu time. Cada um na sua.
Ainda assim, não é esporte.
Dos que tomam picada, ele é o que aguenta mais — sem dúvidas.
Eu jogo videogame, mas nem por isso acho que e-sports são esporte.
Ou xadrez.
São competições.
A natureza do esporte está no limite do corpo, na habilidade de levar esse limite dentro do campo biológico, usando força física, emocional e cognitiva.
Essa definição eu acabei de criar.
Mas acho que é irrefutável, né?
Matei o xerife do lugar.
E deixei a cidade dos fisiculturistas em completo caos.