
Com certeza, em vez da maioria da população — principalmente a do Brasil — ser como é, com a maioria de obesos e mais ainda acima do I.M.C, ao contrário, teríamos um país de atletas… ou, então, de subnutridos.
Se eu fosse parar para reclamar ou ouvir as críticas — quem se lembra dos comentários que eu recebia sobre meus looks? — diziam que aquele tipo de roupa só ficava bem em quem era magro, e que definitivamente não era o meu caso, claro.
Ou ainda, que o que eu escrevia “não tinha graça”, enquanto quem dizia isso escrevia no escurinho do seu anonimato insignificante, certamente com as mãos engorduradas de salgadinho e a pele encoberta pelo excesso de tecido adiposo.
Reclamando, enquanto eu fazia abdominais.
Enquanto eu fazia polichinelos, exercícios intervalados de alta intensidade,
High-Intensity Interval Training, H.I.I.T, e olhava para o meu abdômen — para a minha barriga protuberante ao me mover — isso me incomodava tanto durante o exercício, mas ao mesmo tempo era o meu principal combustível.
E não apenas no sentido biológico de estoque de energia. Era motivacional. Era metafórico.
Enquanto outros olham para a barriga e se resignam — até aceitam a barriga como prêmio, história, orgulho, até como talento: equilibrar um copo sobre a gordura visceral, de tão dura — eu prefiro trabalhar para mudar.
É claro que emagrecer, no meu caso — que já sou magro, com algo em torno de 10% de gordura corporal e apenas 1% de gordura visceral (o resto, subcutânea) — é mais difícil.
Qualquer ganho de peso em músculo vem junto com um pouco de gordura. É normal.
Mas duvido que alguém que tivesse o meu nível de atividade física por apenas duas semanas, mesmo sendo obeso, não emagrecesse vertiginosamente.
Bastaria combinar isso com uma dieta adequada, sono e disciplina.
Porém — e é aí que está o verdadeiro desafio — o difícil não é fazer isso por duas semanas. É manter por seis meses. Ou mais.
Como eu.
Acho que o segredo do emagrecimento saudável é encontrar na experiência o equilíbrio entre sustentabilidade e praticidade dentro da rotina moderna.
Para que isso não seja tarefa de uma época, mas de uma vida.
Afinal, dieta significa exatamente isso: estilo de vida.
E não deixar de comer algo por uma semana reclamando, para depois voltar a comer porcaria tudo de novo.