
Eu sei que minha literatura esbarra no onírico, no surrealismo kafkiano, com Buñuel e Dalí, pra não dizer na maior mentira completa. Mas eu sou como Nelson Rubens: aumento, mas não invento. E aumento porque a escrita pede a hipérbole que se esvai diante do diminutivo dos dias.
Mas sonhei com duas recantistas e devo dizer: as melhores são as que são mais próximas a mim, afetivamente, embora ambas não deem muito sinal de fumaça… apenas acenam com gravetos para a fogueira, no máximo. E espero que, nelas, elas pretendam incendiar nossas roupas para que façamos sexo, ou assar marshmallows, ou nos esquentar do frio numa expedição para ver a aurora boreal…
Mas uma é mais querida que a outra, obviamente, porque é muito mais antiga e próxima ao meu coração. Sempre por perto, mesmo tão longe, como no filme de Wim Wenders, em que um anjo observa a humanidade.
Achei estranho certa feita quando uma amiga que eu nunca tinha conhecido pessoalmente, tete-à-tete, além do virtual, disse que sonhara comigo.
Eu perguntei se o sonho foi estático, visto que ela só me conhecia por foto.
Mas eu tive essa experiência.
Não irei revelar nomes. Mas DESCUBRA… por ordem de afetividade. E eu não costumo me lembrar dos meus sonhos, para você ver como elas são especiais.
Eu estava andando com ela nas areias, provavelmente da Bahia, mais apropriadamente, do interior da Bahia, e ela estava acompanhada por duas outras colegas, amigas dela e que eu não conhecia, mas a que falava era ela. Ela começou a falar coisas que sentia vontade de fazer em quatro paredes, que nem eu sequer ousei escrever nos meus textos, talvez por eles estarem só no subconsciente do meu sonho, e imitando meu estilo de descrição e humor… mas eu fiquei ruborizado e disse: “que eu não ousaria escrever as coisas que ela estava falando.”
Bom, eu não ousaria escrever… mas viver, na vida real, sim.
E a outra: a gente saiu para caminhar na rua perto de casa e justamente numa rua chamada Dr. Rafael Não sei o quê Ribeiro, que eu passo diariamente nas minhas caminhadas, ela desmaiou. Eu acho que de exaustão. Fiquei desesperado, tirei o pulso dela, embora sem saber o que fazer, pedi ajuda para todo mundo: socorro, socorro, meu amor, o que eu fiz? O que fiz? Eu te matei de exaustão, me desculpa, a gente fica em casa, não precisa me acompanhar…
Ela foi acordando aos poucos e eu a abracei com todas as forças disponíveis, mas com cuidado para não interferir na recuperação dela e não machucar nenhuma pétala daquela rosa tão delicada…
E eu juro que os sonhos são reais. Eu juro pelas obras de Tolstói e Dostoiévski juntas. Que elas queimem no inferno e, no lugar delas, aparecem livros de Paulo Coelho e de colorir para adultos se eu estiver mentindo. E sem nenhuma metáfora.