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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


A HELENA DA PERIFERIA FEZ AS PAZES COM TROIA E GRÉCIA?

 


 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
 



Eu devo ser péssimo fisionomista mesmo — ou apenas muito louco.

 

A academia fica em cima de um mercado e, ao entrar nela agora, eu vi quem?

Mas quem você acha que eu vi reluzente, usando sua túnica dourada e um spotlight divino refletindo no rosto?

Sim, ela mesma: a Helena da periferia, casada com o Menelau do subúrbio.

 

Mas ora — o império de Menelau é ser dono do mercado concorrente, justamente onde Helena estava comprando?

 

Ou realmente a livre concorrência anda muito boa e sadia, ou então é sinal de que os gregos, enfim, fizeram as pazes com os troianos.

 


 

DUPLICIDADES NO OLHAR

Subo à academia, escrevo o texto anterior, passo pela indignidade de beber água do bebedouro — já que esqueci minha garrafinha — e quem vejo de novo?

 

A princesa Helena, agora vestida adequadamente para treinar.

Mas estou quase certo de que se trata de uma sósia.

Ou uma mulher duplicada. Ou uma irmã.

 

A do caixa, lá embaixo, em trajes civis, parecia outra pessoa.

Nela, qualquer andrajo parecia ter sido costurado por Afrodite para o deleite de quem olha.

Mas na academia… era uma figura totalmente distinta.

Sei lá.

 

Algo em prol da minha hipótese é que, pelo que me parece, ela leva ou busca o filho na escola nesse horário. Pode ser que aproveite também para treinar — quem sabe.

 


 

O MISTÉRIO DE HELENA

O fato inconteste é que essa Helena — ou sua sósia — fez algo que não costumava.

Se antes era recém egressa na academia, agora parece motivada.

Foi ontem e hoje de novo.

Algo que a antiga Helena jamais fez.

 

Ou então é sinal de que ela se emancipou de Menelau pelo poder divino das minhas palavras, guardadas no repositório da sabedoria que, a essa altura, você já deveria saber de cor, fazer parte da sua rotina e visitar todo dia, pela manhã e ao longo do dia, para ver se há novidades.

 

A saber:

daveledave.recantodasletras.com.br

 

E eu sou muito ousado. Eu escrevo o ponto do final desse texto enquanto olho pra ela, como um voyeur literário.

E, vendo melhor, essa é mais comprida, mais voluptuosa, mais exibida — não pode ser a pudica e recatada Helena de antigamente.

Ou talvez seja a Helena de um metaverso.

 

Mas só aceito a condição de ser a original, para não perder  a inventividade e a força da minha imaginação.

 

Tudo pelo bem da minha arte, claro.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 07/10/2025
Alterado em 07/10/2025
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