
Eu sou um amante do belo sexo que, de frágil, como a rosa — não tem nada.
Sou da maneira do homem que amava as mulheres, de Truffaut.
Prefiro a companhia das mulheres à dos homens.

Embora, por conhecê-las, eu saiba que para certos assuntos não se deve confiar nelas — apenas em amigos.
Pois elas sempre confundem o limiar entre amizade, amor, erotismo e sexo.
Porém, são mais poéticas que os homens, mais educadas, menos vulgares.
Até mesmo os gays — esse híbrido, homens com alma e, digamos, predileção sexual das mulheres — são também mais educados.
Eu prefiro mil vezes ir a um bloco de carnaval gay ou a uma balada gay, onde não vou me deparar com aqueles marginais sem educação mijando na rua.
Uma puta falta de educação.
Desde que eles não tentem pôr a mão em mim, nem na minha bunda, nem no meu pau, está de boa.
Fiquei internado em um lugar onde havia gays.
No primeiro dia, você é tirado do conforto da sua casa, fica pelado na frente de outro para ser revistado — e eu não sei se ele me achou afeminado ou sentiu que, com isso, já tínhamos alguma intimidade.
Perguntou se eu gostava de homem.
Respondi “não” tão bruscamente que, das outras vezes, ele achou engraçado que sempre que me encontrava lembrava dessa fato.
Talvez ele quisesse ver se eu mudava de ideia.
Lá conheci gays inteligentíssimos.
Um era formado em Física pela USP, e disse que se masturbou lendo Grande Sertão: Veredas.
Ele era “viado raiz”.
Nunca perdia a oportunidade de ser viado pra cima de mim, mas sempre soube ser educado e respeitoso.
Outro vinha me abraçar sob o pretexto de crises de ansiedade — numa boa, o humanitarismo manda ajudar.
E no primeiro dia, fiquei pelado no mesmo banheiro enquanto esperava a Clara, em homenagem a cantora Clara Nunes, uma travesti, tomar banho.
Acabei me enxugando com a toalha dela, inclusive, sem querer.
E embora afirmem que dão uma fisgada de olho, jamais deixaram de me respeitar.
Perguntei ao tarado literário como era, para ele, ser viado e estar internado com um monte de macho.
Ele respondeu que era o mesmo que eu, se fosse internado com um monte de mulher.
Eu não consigo imaginar o estrago que seria isso — o lobo cuidando das ovelhas.
Mas se a clínica fosse mista, duvido que esse tipo de coexistência pacífica existiria.
Por isso sou fã das mulheres — e das quase mulheres, que são os viados.
Até mesmo os são-paulinos são meus amigos numa boa.
O pecado veio ao mundo pela mulher seduzida pela linguagem.
As mulheres são muito suscetíveis à linguagem — e eu entendi isso desde cedo.
Na bíblia da sedução, que conta o submundo dos pickup artists, em vez de pintar um retrato consagrador da sedução do sexo promíscuo, o jornalista retrata, na verdade, a degradação moral.
Ele é também um grande jornalista de música.
Na internet, há o jogo da linguagem.
A linguagem antissedutora, por natureza, é a linguagem do dia a dia.
Por isso, tudo o que é diferente para a mulher — o que lembra algo ausente do cotidiano dela, como a árvore desconhecida de Eva — chama atenção.
E a internet rompe essas barreiras.
Pelo poder da linguagem é que reuni um acervo de contatos e dos famosos nudes, que poderiam estar no Museu do Louvre ou num museu de antropologia, dada a diversidade de idades, etnias e continentes.
Um exemplo de como a linguagem atravessa fronteiras é o dia em que comentei, no meu Quarto do Brasil, a foto da mulher do BRKsEdu — o youtuber de games mais famoso do país — dizendo que a direção de arte das fotos dela estava incrível.
Brincava com o meme que surgiu no canal do Edu, que, jogando Life is Strange, sempre elogiava a direção de arte do jogo.
Aliás, é uma obra-prima — matéria pra outro texto.
E ambos me curtiram.
Ela comentou que “nem Kojima faria melhor que ela”.
Eles estão no Canadá, e eu, no meu quarto.
E o post foi curtido por muitos.
Desde que ela possa falar minha língua — portuguesa e inglesa — a mulher pode ser lembrada como o diferente, para além do horizonte e dos limites que ela pode alcançar para tocá-lo.
Eu tentei apagar esse acervo, mas ele volta — igual ao Heelander , a pedra de Sísifo — devido ao backup.
Talvez para me lembrar do meu passado.
E eu só não volto a apagar por preguiça — porque elas nada têm a dizer.
E as que queriam, por serem mais raras, acabaram apagadas definitivamente.
Infelizmente. Talvez por questões legais.
Mas embora o conteúdo e os encontros tenham sido consentidos, eu não me sinto bem pela motivação — pela intenção que me levou a adquiri-los.
Por eu estar sob efeito do dionisíaco, digamos assim.
Por isso sou contra aditivos e drogas que mudam a percepção — o julgamento da verdade, inclusive o da mulher.
Porque isso diminui a mulher, mas principalmente a nós mesmos, até fazendo-nos aceitar menos.
A não ser que você precise, como quem toma Venvanse por falta de dopamina, não gosto da ideia de alterar o estado normal de consciência — a não ser naturalmente, por exercício físico, esforço, ou pela maneira natural com que os afetos influenciam nossa percepção do mundo.
Tudo isso afeta o nosso julgamento à volta.
Não existe verdade objetiva.
Essas são apenas categorias para que entendamos melhor o mundo.
Só há percepções subjetivas, que mudam a cada milésimo de segundo conforme o próprio mundo.
Mas hoje, os julgamentos que faço — a partir de um estado subjetivo natural e sadio — são mais confiáveis com a minha verdade.
Sinto-me digno do prazer que proporciono e grato ao destino pelos encontros que ele me retribui em compensação.