
Qual é a semelhança entre mim e Reinaldo Azevedo?
As nossas inimigas — as dele são maiores, mas só porque ele é mais conhecido.
Vão dizer que é ser de esquerda, mas falamos que somos liberais conservadores de direita, odiamos a Lava Jato e, principalmente, Sérgio Moro, e defendemos com fervor o governo Lula.
Mas não para por aí.
Reinaldo começa todo programa com uma música, assim como eu, que diariamente coloco uma nova no meu site.
E ele é casado com uma mulher chamada Lílian — nome da minha professora, que já foi minha musa e quem me alfabetizou.
A diferença é que a Lílian dele não foi professora, mas aluna — e que se apaixonou por ele.
Claro, porque outra diferença entre nós é que ele é bem feinho.
E eu sou ousado mesmo.
Pois, apesar da legitimidade como jornalista, apresentador e do capital financeiro, cultural e simbólico que Reinaldo tem, eu afirmo:
como intelectual e homem total, no sentido que Bataille entendia, eu sou mais completo que ele.
E também escrevo melhor.
Porque escrevo com mais verve e síntese.
Ele se alonga muito e é prolixo — embora, de política, ele entenda mais.
Porém, eu sou um intelectual mais completo, com paixões mais abrangentes e com muito melhor gosto.
Mas eu não saberia fazer o que ele faz — apresentar um programa de política com tanta eloquência por mais de uma hora.
Tampouco, se tivesse uma página no Recanto das Letras, ela seria tão bem feita quanto a minha.
Basta observar a diferença entre as escolhas das minhas músicas e as dele.
Claro que a primazia dele é pela MPB, mas muitas vezes eu até pulo o início — de tão chatas que são as escolhas.
E pode ser que você também não goste das minhas.
Mas aí, quem tem mau gosto é você.
A maior maldição que poderia me ocorrer seria não ter capacidade e repertório para escolher uma música diariamente.
E convenhamos: há pessoas que não têm.
Por isso escutam sempre as mesmas.
Enquanto eu poderia facilmente escolher uma música diferente (e de qualidade) até o dia da minha morte — prevendo que viverei mais uns 100 anos — sem precisar ouvir nenhuma inédita.
Gostaria que vocês pudessem ter acesso a todas as músicas já escolhidas, assim como eu tenho.
Deveria ser um recurso que o Recanto das Letras disponibilizasse.
Eu, por exemplo, consigo até baixar as músicas — embora caísse, creio, em direitos autorais.
Às vezes até penso que vocês deveriam criar o hábito de entrar diretamente no meu site
daveledave.RECANTODASLETRAS.com.br,
favoritá-lo no celular,
e fazer dele a primeira coisa do dia:
me ler e escutar a música que coloco na capa.
Talvez alguém já faça isso — e, quem sabe até goste da música, queira ouvi-la de novo e no outro dia ela já não esteja mais lá, sem saber o nome.
Igual antigamente, quando se ia à balada e não se sabia o nome da música que se gostava — e tinha que perguntar ao DJ.
Bom, você pode perguntar ao DJ (euzinho).
Mas só se for por mulher.
E mandar uma foto de corpo inteiro (nude),
que estará sujeita à aprovação antes da resposta.