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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


A ARTE DE ELOGIAR MULHERES NA REDE SOCIAL

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR



A ERA DOS HOMENS QUE NÃO SABEM FALAR

Os tempos nunca foram tão propícios a vocês, homens que não sabem falar. Basta curtir fotos antigas, mandar emoticons para a sua crush ou comentar com o sinal de 🔥, como “os primitivos que imploram às relíquias saúde, chuva, não sei que portentos…”

 

Como bons homens das cavernas rupestres, basta dar uma boa olhadela nas redes sociais de todas as classes — de médicos a artistas. Se houver mais de três frases, é porque ele tem o hábito de ler mais de um livro ao ano, creio eu, e já pode ser considerado acima da média.

 

Então, esperar uma frase espirituosa que fuja da banalidade do cotidiano seria demais.

 



O HOMEM PARCIAL CONTRA O HOMEM TOTAL

Acho que um dos conceitos mais profícuos do livro de Bataille sobre Nietzsche é quando ele analisa a preocupação de Nietzsche com o homem parcial em relação ao homem total.

 

Desde aquela época — e hoje mais do que nunca — vivemos a era dos homens parciais. Homens que são apenas um monte de alguma coisa. Especialistas em algo só: ou são apenas médicos, ou apenas advogados, ou apenas musculosos com corpo mas burros, ou apenas intelectuais, ou apenas cinéfilos, ou apenas ricos, ou apenas de bom gosto.

 

Mas nunca homens totais.

 

Um homem total seria aquele completo, que é um pouco de tudo. Que busca ser um corpo total, um conhecimento completo. Um corpo que incendia, cuja chama tem dificuldade de conter dentro de si.

 

Ao contrário, os homens de hoje são gelados como o Everest em sua parcialidade.
 

Não são como corpos sem órgãos — no sentido deleuziano. O corpo sem órgãos é ativo, é totalidade da máquina desejante, ao contrário dos objetos parciais que são os órgãos, cuja função é apenas conservar-se.

 

Esses homens parciais são justamente mecanismos da vontade de conservação dos órgãos. Não são ativos e personificação total da maquina desejante. Não são criadores.

 

O corpo total é um corpo sem órgãos, mas também é um corpo de linguagem, um corpo artístico, um corpo criador. Um corpo que sabe elogiar uma mulher como ela merece — não apenas curtindo uma foto antiga ou deixando um sinal de fogo, como se fosse o Tom Hanks em Náufrago, acenando à sua vulgaridade.

 

É quase uma falta de respeito com o belo sexo.

 



O DESVALOR DAS MULHERES

E as mulheres, por sua vez, não se dão o valor.

 

Eu sigo uma dermatologista e uma médica — ou melhor, apenas observo, sigo apenas motivado porque me são conhecidas por alguém querida ao meu coração.

 

E embora as únicas mensagens espirituosas que já apareceram em suas redes tenham sido escritas por mim, no mar de monossílabos e emojis das redes delas, uma me bloqueou e outra jamais deu um like ou qualquer interação.

 

Mesmo não tendo nem dois mil seguidores.

 

Enquanto isso, já fui curtido por Zé Roberto, que já me respondeu por direct várias vezes, mesmo tendo mais de três milhões de seguidores. O mesmo aconteceu com Paulo Muzy.

 

E André Barcinski? Que, embora não tenha milhões, é infinitamente mais conhecido que essas anônimas incultas e pobres em tantos sentidos diante de um homem culto como o Barça.

 

E o pior: elas ainda se acham, só porque são médicas formadas em universidades de terceira divisão do interior de São Paulo.

 


 

A LÍNGUA DOS SÍMIOS

É até constrangedor a maneira como eu as observo, do alto da minha intelectualidade, esse suposto desinteresse que demonstram, enquanto curtem mensagens de seus pares que se comunicam apenas com emojis e grunhidos.

 

Vai ver é isso.

 

Talvez porque eu não saiba falar essa língua dos símios e babuínos.

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 04/10/2025
Alterado em 04/10/2025
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