
No DSM, que é o manual de transtornos mentais, onde se encaixaria a seguinte anamnese:
Eu estou falando com uma garota que não é necessariamente bonita — embora, comumente, seja, porque se não fosse, muito provavelmente nós não estaríamos conversando — e, de repente, ela fala algo tão interessante, tão inteligente, que eu fico de pau duro?
Eu acho que não está catalogado, e eu teria que falsificar um CRP para criar uma categoria para esse novo “transtorno”, que chamaria, e que o professor Freud não explica, mas eu sim. Eu definiria como: admiração sexual, do mesmo intelecto que inventou a amizade erótica. Eles são patologias que acionam a mesma área do cérebro e são totalmente compatíveis.
A admiração sexual é totalmente contra a banalidade. Ela combina com o diferente. Sabe aquela pessoa que você encontra no rolê e é diferente, estuda algo diferente ou fala algo fora de tudo que você já viu, uma opinião nova, original, uma combinação inusitada, mas que tem coerência e faz sentido?
Um jeito de se vestir original, singular, mas não excludente, que imputa algo original no seu cérebro: em mim, o que imputa é me deixar de pau duro. Igual aquela menina com quem eu fiquei numa única noite que me excitei só porque, num dia de frio, ela me disse que sentia as temperaturas ao contrário. Eu emprestei a ela meu elegante sobretudo nova-iorquino — quer dizer, nos agasalhamos juntos na casa dela… mas o fato dela ser bonita e se vestir bem ajudou também.
Tipo mulheres com algum tipo de paixão combinada. Tipo uma mulher que entenda de futebol americano, algo que não se vê todo dia. Mas a beleza ajuda, claro. Eu acho que a admiração é sempre uma soma com algo a mais, e, segundo Stendhal, é o primeiro critério do amor — no caso em questão, da admiração sexual que estou tratando aqui.
Eu tenho admiração(ões) pelas minhas (ex) amigas do Recanto. Ao lê-las. É uma pena nosso entrevero, mas eu sempre lembro delas quando vou temperar salada, ou quando vou ao parque e vejo flores, ou leio sobre aquela atriz da Globo, Giovanna Antonela, ou estudo sobre sociologia… etc., etc.
Mas que fique claro: a ordem de admiração sexual não é a mesma ordem do coração, embora o órgão que pulsa sangue para o pênis seja o mesmo.