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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


O RECANTO DAS LETRAS ESTÁ CHEIO DE POLICARPOS QUARESMA

 



 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR


 

O BRILHO DE LIMA BARRETO

Lima Barreto é brilhante: Policarpo Quaresma, o ufanista que sucumbiu à estrutura burocrática do próprio Estado, aquela mesmo que bancava sua subsistência, já que ele era funcionário público.

 

Claro, para quem é rico, é fácil amar o Brasil.

 



O FUNCIONALISMO COMO LABIRINTO

O funcionário público é totalmente pessoalista, como analisou Buarque de Holanda.

 

Numa instituição burocrata que só encontra paralelo em Kafka, se você não conhece alguém dentro da estrutura, você sucumbe na engrenagem burocrática.

 

Ou então contrata um despachante — esse amigo profissional, que empresta a você o pessoalismo que lhe falta.

 



UM POVO FORJADO NO PECADO

Somos um país colonizado por aventureiros: a pior espécie que saiu de Portugal, gente que não tinha nada a perder.

 

Marginais, em busca de lucro. Talvez homicidas, pervertidos, párias sociais que foram excluídos da sociedade portuguesa e vieram tentar a sorte no além-mar.

 

Esse português, que não tinha nada a perder, constituiu nosso povo primordial, miscigenando-se com aborígenes e escravos com sexo sem aquiescência, sem amor.

 

Um país cristão, que acredita na alma, mas que foi concebido no pecado e no sangue. Eis o nosso país.

 

E isso se reflete até hoje na estrutura burocrática do Estado, das prefeituras, das universidades.

 



A ILUSÃO DO AMOR À PÁTRIA

Policarpo, como era rico, amava o país. A ponto de querer aprender a falar fluentemente o tupi-guarani e torná-lo o idioma oficial.

 

Claro, aqui pelo clima e pela beleza natural, é um ótimo lugar para viver. Mas assim como a natureza é bela — nela tudo se planta e se colhe — ela é também cruel.

 

As formigas destruíram a plantação e depredaram o patrimônio suado do aposentado de uma vida toda: Policarpo.

 

E ele recorreu aos universitários, aos especialistas, símbolos das universidades de hoje. Eles falam em códigos cifrados, sem paralelo com o Brasil real.

 

E não resolvem o problema do Brasil real: as porras das formigas.

 



O TRISTE FIM

Triste fim de Policarpo Quaresma, que termina executado pelo próprio regime no qual fielmente acreditava — tal como alguns ideólogos que, aqui no Recanto, creem nas soluções da extrema-direita, justamente nas mesmas crenças que tanto criticam.

Triste fim do Brasil.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 03/10/2025
Alterado em 03/10/2025
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