
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Como posso afirmar que sou um bom partido para um relacionamento sério se nunca tive um? Nunca namorei. Mas, para mim, todos os relacionamentos com todas as mulheres que já tive na vida são sérios: por mais que tenham durado meses, dias, um instante, o efêmero de um olhar, ou a eternidade etérea que o tempo não é capaz de apagar…
No materialismo estrito que acredito, não há lugar para crença em karma. Se de alguma maneira pagamos pelos nossos erros, isso se dá nesta existência mesmo, em forma dos rastros e marcas que deixamos no passado, valores, postura, de forma boa ou ruim.
Minha página no Recanto serve como materialidade, prova entre meu discurso e minha prática real.
Por exemplo, as críticas que recebo, inferindo e estabelecendo uma ilação entre minha vida e o que escrevo, dizendo que eu seria um vagabundo e preguiçoso, vão totalmente contra os fatos reais e denunciam todo o mal-caratismo das minhas inimigas.
Eu sou humano e não consigo ser perfeito — se fosse, seria chato. Sou apenas quase. Tenho vários erros, vários karmas, vários fatos contra os quais minhas inimigas poderiam me atacar. Não irei entregá-los de mão beijada, porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, mas que eles existem, existem…
O fato da double N, a famigerada e amada — que eu nem sei direito se é lusitana, italiana ou simplesmente viralata igual a mim — não fala comigo por conta dessa materialidade, do meu passado… Hoje, mais lúcido, até desconfio com quem eu conversava quando falava através do seu pseudônimo. Podia ser ela mesma ou qualquer outra pessoa que soubesse da nossa história, mas fato é que ela deu a entender que eu não era um bom partido e eu ressinto essas palavras até hoje…
Há uma situação que explica o receio das mulheres: houve uma ocasião em que fiquei com os horários das aulas. Então se aproximaram duas garotas para me pedir, eu estava conversando com um colega e ouvimos elas falarem, totalmente com medo e desconfiadas, igual uma criança que vai pedir algo caro ao pai ou o subordinado pedindo aumento ao chefe.
— Vai, vai, fala com ele, fala com ele.
— Não, não… fala com ele você, fala você, pede você. Eu não.
Tomaram coragem gaguejando e eu não fiz nada com elas… só lhes dei o horário.
Perguntei ao meu amigo se ele notou a cena e lhe indaguei sobre o suposto motivo; ele disse que deve ser porque eu ficava zoando todo mundo e elas ficaram com medo. E isso se repete até hoje no Recanto. Mas eu prometo que não mordo, a não ser delicadamente e se a garota insistir muito gemendo no meu ouvido. Há coisas que não se negam para uma garota pedindo com jeitinho (gemendo).
Porque críticas sem embasamento não são nada. Na verdade, a materialidade do curso que a vida dela seguiu e a minha mostra o contrário: que no atual mercado afetivo sou o melhor partido, parceiro, possível. E não por mérito próprio, mas eu brilho pelo contraste, e, mais, pela falta de concorrência.
Eu faço muito juízo de valor na minha página, mas aqui também sou como Ulisses, sei meu lugar no mundo. E Priamo, pai de Paris, conversando com Helena, diz algo muito interessante sobre Ulisses: diz que ele não é forte, não é distinto nem nada, mas que cada palavra que ele diz é cristalina como flocos de neve…
Para além da beleza da imagem que o rei cria sobre Ulisses, ele diz que a comunicação dele é tão eloquente que cada palavra é certeira como uma flecha, fala com precisão exatamente aquilo que quer enunciar. Minha linguagem, pelo menos na escrita, não me deixa confundir com ninguém — embora possam derreter — assim como a neve.
Enquanto minhas “pretendentes”, ou quem me rechaçou, não mostra através de evidências materiais aquilo que, como diz Nietzsche — uma imagem tão eloquente cujo valor não precisa ser demonstrado— que elas têm valor, pela sua imagem, humor, espiritualidade, conteúdo, elas sempre estarão erradas.
Mas principalmente em relação aos seus parceiros: enquanto eu não as vir com quem elas realmente estão se relacionando, e comparar comigo, perceber que são mais distintos, espirituosos, interessantes, elegantes, inteligentes pela sua produção intelectual, pela sua página de internet — assim como a minha, que muitas já sabem de cor o endereço, mas cabe repetir: daveledave.recantodasletras.com.br — eu sempre estarei com a razão.
Enquanto elas não baterem no peito com orgulho para mostrar e exibir seus parceiros, escondendo-os sob o tapete para ninguém ver, como se fosse poeira que tenta se ocultar… eu sempre estarei certo.
Mesmo se fizerem como eu fui o primeiro a fazer, eu sempre terei a primazia de ter começado. Então não há o que fazer, eles podem no máximo conseguir imitar…
Eles podem ser mais bonitos, mas o corpo bonito e trabalhado é mais valorizado que o bonito de nascença. Podem ter mais dinheiro, mas os capitais mais valiosos são os culturais, simbólicos, e o do bom gosto. Porque somos humanos, seres de linguagem. O próprio dinheiro é invenção do homem e recente, em comparação com a história da humanidade…
Ele só tem valor porque concordamos que tem, mas pode deixar de ter justamente por causa da cultura. Ele é simbólico.
É por isso que o maior capital na sociedade contemporânea pós-moderna do espetáculo é, até mais, o capital erótico, o cultural, e principalmente o bom gosto, que são convertíveis e permutáveis em todos os outros capitais, inclusive afetivos.
Encerro minha fala aqui, meritíssimo, pedindo a absolvição do réu e afirmando que ele é um bom partido!