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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


POR QUE DEVEMOS SER PRECONCEITUOSOS

 


 

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O PRECONCEITO COMO ARMA EVOLUTIVA

O preconceito foi um comportamento selecionado pela evolução das espécies.

Com ele evitamos muitos perigos e infortúnios — e a sociedade é, sim, preconceituosa.

 

Vale a pena saber usar esse julgamento preconceituoso, inerente ao homem, a nosso favor.

Por exemplo: melhorar a imagem pessoal para conseguir vantagens. Julien Sorel, de O Vermelho e o Negro, soube trabalhar isso com sabedoria e ascender socialmente.

 


 

O CORPO COMO LINGUAGEM

Indo à academia diariamente, eu saberia, pelo corpo e pela imagem que ele comunica, se fosse empresário — e já fui —, quem eu contrataria. E tenho certeza de que não erraria.

 

O contrário também é verdadeiro: o corpo e a imagem denunciam a incompetência de uma pessoa antes mesmo de ela abrir a boca.

 

Uma pessoa como eu, que tem cerca de 8% de gordura corporal, já transmite, pela distinção da elegância física, o grau de intelectualidade e disciplina necessários para alcançar esse resultado.

 


 

ESCOLHAS E CONSEQUÊNCIAS

Mas tudo depende de escolhas.

 

Tenho 59 quilos, e embora a maior parte seja músculo, pelo nível de definição e vascularização que apresento, sei que, se tivesse mais massa magra, meu corpo chamaria mais atenção estética.

 

Eu poderia pesar 58 ou até mesmo 80 quilos, com 12% de gordura ou menos. Mas isso passa por uma decisão. Eu me sinto melhor mais atlético, definido, skinny e funcional.

 

Vale a pena perder mobilidade e naturalidade em nome de um corpo volumoso? Será que volume se traduz em beleza?

 

E principalmente: será que vale trocar minhas roupas — usar PP e ter de comprar tudo novamente — apenas para agradar um olhar externo? É também uma questão de custo-benefício.

 


 

DISCIPLINA E ZONA DE DESCONFORTO

Hoje consumo mais de 3.500 calorias diárias, mas gasto acima de 4.000.

Bastaria diminuir a atividade e focar em musculação para ganhar volume.

 

Mas para mim, minha rotina é sair da zona de conforto.

 

E eu não apenas falo: eu mostro. Cada dia vivido é uma prova.


 


 

O ESSENCIAL É INVISÍVEL AO CORPO

É importante compreender o que a raposa de O Pequeno Príncipe quis dizer com a frase: “o essencial é invisível aos olhos”.

 

Mesmo que meus esforços não apareçam de imediato, existe um trabalho interno acontecendo — alterações fisiológicas, silenciosas, invisíveis — que moldam o corpo e, ao mesmo tempo, a mente.

 

Alguém que treina com disciplina, mantém um nível elevado de atividade, gasta e consome milhares de calorias por dia, não transforma apenas músculos ou estética. Transforma o próprio metabolismo, a estrutura hormonal, a resistência mental.

 

Esse invisível, acumulado dentro de mim, é o que se traduz também em produção intelectual.

A energia não se limita ao corpo: ela reverbera na forma como penso, escrevo e crio.

 

O essencial, portanto, não está apenas no que o espelho mostra, mas no que não se vê — e que, paradoxalmente, é o que realmente sustenta tudo.

 

Escolha é sempre aposta no futuro — e eu aposto em saúde, em um corpo funcional, em imagem pessoal como capital simbólico.

 

Sim, inclusive em vantagens monetárias, experiências e sexuais. Não há hipocrisia aqui.

 

Mas isso exigiu sair radicalmente da zona de conforto.

Para alguns, atividade física é zona de conforto, pois não exige elucubração. Para mim, não.

Não sou um “troglodita levantador de peso”.

 

Minha zona de conforto seria ler, ver filmes, jogar videogame, usar drogas ou até mesmo trabalhar.

 

Eu, porém, escolhi outra via: uma rotina rígida, quase militar.

Não porque sou disciplinado, mas porque sou hipermotivado. Motivado em quê? Em alcançar minha melhor versão.

 


 

NEUROPLASTICIDADE E PRÁTICA

Um conceito indiscutível da neurociência é a neuroplasticidade: a capacidade do cérebro de, pela prática, expandir-se em memórias explícitas e implícitas, motoras e declarativas.

 

Hoje escrevo melhor porque escrevo todos os dias. São quase 20 anos escrevendo na internet.

 

Meu auge intelectual, de retórica e argumentação, foi em 2016.

Naquela época, eu gastava a mesma energia que hoje aplico em atividade física em leitura, filmes, aulas.

 

Traduzindo: explicava conceitos complexos com naturalidade.

Hoje escrevo com fluidez, mas sei que posso reconquistar aquele nível de elucubração, assim como posso conquistar 80 quilos com 8% de gordura — porque aprendi como secar sem perder massa magra.

 

Ainda me falta a experiência prática de ganhar volume e testar se minha genética comporta essa mudança sem perda de performance.

 


 

O DOM SUPREMO

Mas não reclamo da minha genética. Ela me ensinou.

 

E, sobretudo, me deu o dom supremo: nascer com bom gosto.

Porque bom gosto é a virtude máxima, a mais rara, a mais elevada de todas.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 01/10/2025
Alterado em 01/10/2025
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