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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


Não há diferença entre a advogada da universidade pública e a adolescente da periferia que engravida cedo

 


 


 

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Tenho a impressão de que as pessoas, os dormentes, como os chamava Heráclito — aqueles que vivem pouco reflexivamente, alienadas — apenas seguem sua vida como num fluxo, como zumbis existenciais. Em algum lugar elas chegam, mas sem objetivo, sem valores maiores, moldadas pela contingência, pelo princípio da necessidade, influenciadas pela sociedade, pais e pelos amigos.

 


 

VIDAS DUPLAS E DESTINOS

Nesse sentido, não há diferença entre uma amiga que leva uma vida dupla — a garota que escreve e a jurista em formação, preocupada em agradar a sociedade e conseguir bons empregos; ela é uma espécie de Ivan Ilitch de Tolstói — e algumas garotas que vejo diariamente na academia. Menores de idade, acompanhadas por garotos sem noção da vida; daquelas que, sem completar a maioridade, provavelmente engravidarão e ficarão presas a um destino de perigo.

 

Elas treinam, ficam sorridentes, orgulhosas do bumbum empinado, apesar do rosto anódino, sem perceber que a vida cobra caro. O tempo é valioso, e ele cobrará o preço de forma inexorável, destruindo oportunidades que jamais poderão ser readquiridas. O mais importante é viver uma vida desperta, não fugaz, aproveitando aquilo que realmente nos torna humanos, arte, cultura, etc. etc.

 


 

PARADOXO DO TEMPO

Tanto a garota quanto a advogada permanecem presas a destinos inexoráveis. Aceitam parceiros banais, âncoras que apenas consomem seu tempo de vida, sem perceber que a percepção do tempo é relativa, como reflete Thomas Mann: quando nos divertimos, o tempo parece expandir; no tédio, parece se arrastar. Em longos períodos, no entanto, o tempo que se arrasta encurta a existência, desperdiçando-a, enquanto os períodos curtos são os que dão profundidade, expandindo a percepção de tempo e da vida de modo geral.

 

Assim, os destinos se tornam ainda mais trágicos para aqueles que não vivem conscientemente: as oportunidades e experiências que poderiam enriquecer a existência passam despercebidas, consumidas por banalidades e rotinas vazias.

 


 

TRANSFORMAÇÃO E INFLUÊNCIA

Na época em que tive contato com essa advogada, era nítida a mudança em sua produção literária, perceptível também em suas fotos: gostos refinados, influência positiva de alguém sobre outra pessoa, mesmo sem laços diretos. De meio esquisita e nerd, ela estava cada vez mais elegante, confiante, com um corte de cabelo sofisticado.

 

Agora, a banalidade das pessoas ao seu redor será a âncora que a puxa de volta para a mediocridade. Assim como o peso da criança da adolescente de periferia ranhenta — que talvez, ao nascer mulher, se forma advogada numa universidade pública contrariando a circunstância, mas que, como Ivan Ilitch de Tolstói, repetirá o erro de legar a miséria da própria existência, ao contrário de Bras Cubas que pelo menos teve a sorte de não deixar descendentes, simplesmente por dormir em vez de viver uma vida desperta.

 

Viver desperto, consciente, é o que separa a vida plena da existência medíocre. É aproveitar o tempo de forma que ele se expanda, tornando cada momento significativo e profundo, mesmo na brevidade.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 30/09/2025
Alterado em 30/09/2025
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