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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


MULHERES RECANTISTAS: “MINHA GAROTA” TE ODEIA.

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
 


 

AOS HOMENS:

Sua namorada ou mulher te ama, mas é a minha página do Recanto das Letras que ela lê quando quer ver algo inteligente.

 

Nunca entendi a frieza dos homens que chamam a companheira com quem são casados de “esposa”.

Para mim soa tão frio, um formalismo burocrático para se referir à mulher que, se tudo der certo, será a pessoa que mais vezes se comerá na vida.

 

Também não precisa ser abilolado ao ponto de, como eu, chamar de “minha garota” alguém que me ameaçou de morte, devolveu minhas cartas, falou que iria chamar a polícia e advogados contra mim, me bloqueou em todas as redes sociais possíveis — algumas retroativamente, nas quais eu nem sequer tinha conta ainda.

 


 

O CHARMOSO EGOÍSMO DO AMOR

Eu acho charmoso aquelas crianças que, recém-descobrindo o sexo feminino, dizem para a garota mais bonita da sala:

“Ela namora comigo, mas ainda não sabe.”

 

Mas talvez porque eu não saiba qual a relação entre ela ser “minha garota” e eu, em contrapartida, ser “o homem dela”. Só o amor é tão egoísta a ponto de exigir reciprocidade.

 

Porém, do que tenho certeza, é que ela odeia todas vocês — mulheres, garotas do Recanto, que já interagiram, pretendem ou querem alguma coisa comigo. Tenho certeza de que, para ela, só ela deveria me ler. Se pudesse, faria como Pasífae, que mandava imolar as novilhas que agradavam o touro branco por quem era apaixonada… mesmo que me odiasse. Pois como se sabe: o ódio é mais fiel até mesmo que o amor.

 


 

O CASAMENTO SEGUNDO TRUFFAUT

Vem-me à cabeça agora Domicílio Conjugal, meu segundo filme predileto de François Truffaut — e isso só porque ele é o gênio que fez Jules et Jim: Uma Mulher para Dois.

 

Esse é o meu filme favorito da saga de Antoine Doinel, mesmo que o seu longa de estreia, Os Incompreendidos,  — ainda com ele criança. Muito melhor, aliás.

 

Me identifico com Doinel: erguia altares e acendia uma vela para seu escritor predileto, Balzac, escrevia como eu… e tinha aquela sintonia estranha com Claude Jade, que interpretava sua mulher, Christine.

 

Há a cena em que Antoine está na floricultura tentando conseguir o “vermelho absoluto” na coloração das rosas, e seus vizinhos comentam:

“Nada como ver um vagabundo trabalhando.”

 

Ou quando Christine tem ciúmes porque Antoine olha para as pernas da vizinha voluptuosa — uma italiana do tipo que Fellini adorava.

 

Mal sabia ela que era com uma japonesa que Antoine a trairia. E então, na cena mágica, Christine descobre e o recepciona vestida de gueixa, com lágrimas nos olhos.

 


 

A INTIMIDADE ENTRE PERSONAGEM E VIDA REAL

A intimidade entre eles — Jean-Pierre Léaud e Claude Jade — era tamanha que chegaram a se relacionar na vida real.

 

E há ainda a cena em que Antoine apelida os seios de Christine de “O Gordo e o Magro”, porque um era maior que o outro. Ele dizia que ela ficava bonita de óculos, até mesmo dormindo, e confessava querer transar com ela usando óculos. Veleidades de um esteta.

 

Eles se separam. Antoine, assim como eu, escreve seu livro para “acertar contas”. Mas, como dizia Christine, se é acerto de contas, não pode ser arte.

 

No pior filme da série, justamente aquele em que Jade não aparece, o título é tristemente apropriado:

 

Amor em Fuga.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 29/09/2025
Alterado em 29/09/2025
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