× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


A SOCIEDADE DOS LOUCOS DO RECANTO DAS LETRAS

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
 



Se, segundo Einstein, um dos conceitos de loucura é fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes, estão parafraseando o Assis sobre um personagem do próprio Assis, Quincas Borba, que dizia que Pangloss não era tão tolo como Voltaire o pintava.

 

Referindo-se, claro, a Cândido e ao otimismo em sua crítica a Leibniz, segundo o qual tudo que vem da natureza seria bom, pois fruto da vontade divina… Mas a realidade, como o terremoto de Lisboa, contrapõe essa crença a todo momento.

 


 

A LOUCURA DO COLETIVO

Então Bacamarte, de O Alienista, também não é tão tolo como Machado o pintou, porque, de fato, toda a sociedade é louca.

 

O que se vê são pessoas repetindo comportamentos, umas às outras, e, sobretudo, repetindo a si mesmas.

 

Veja o tal “escritor da armadura” do Recanto: critica sempre as mesmas coisas, mas a dialética do que critica produz justamente aquilo que denuncia — a própria ignorância, a alienação, a intransigência, a visão estreita que não consegue enxergar outro ponto de vista além do seu próprio.

 


 

O PESADELO DAS CONTRADIÇÕES

Ora, se eu nego a feiticeira mas afirmo Deus; se critico a pobreza dos países de matriz africana e, ao mesmo tempo, exalto os escandinavos, então nego que os fatores que produzem a riqueza nórdica sejam estritamente materiais: estudo, ensino, educação, infraestrutura, cidadania; não espirituais.

 

E insisto que é “fé” ou “ideologia” que gera a pobreza de uma Venezuela, de Cuba…

 

Mas carregar o elmo e e espada já são demais para certas cabeças. Pensar se torna um fardo excessivo trajando tal indumentária.

 


 

DESTINOS PREVISÍVEIS

A sociedade, e o comportamento das pessoas, se repetem. É possível prever seus compromissos apenas observando o campo social em que estão inseridas: seus amigos, o universo semiótico e polifônico de ideias de que fazem parte.

 

Disso se traduz todo um destino — basta bater o olho. A mesma história de sempre: engravidar do primeiro que aparece, viver para criar o rebento e ficar presa em relacionamentos previsíveis.

 


 

A BELA RECANTISTA

Por isso faço o elogio, mas também a crítica, daquela bela recantista que apelidei de Clarice do século XXI.

 

Tivemos um contratempo, causado por uma simples iguaria oleaginosa — uma fonte vegetal de gordura boa, que faz bem à saúde.

 

Apesar de ser muito bonita e inteligente, permanecia solteira e não tinha redes sociais.

 

Uma garota assim, se estivesse no Instagram ou em sites de relacionamento, teria incontáveis pretendentes. Mas — e aqui está a questão — qual seria o nível desses pretendentes? Nenhum à altura dela. Nesse caso, faz bem em permanecer sozinha.

 

Ela é tão bela e inteligente que, se criasse um canal no YouTube, apenas pela beleza, mesmo sem carisma, talvez já conquistasse milhares de inscritos. E seria justo.

 

Mas preferiu o anonimato. 
 

Muito diferente daquela outra (amiga?), que chama de gênio o primeiro que “recita” uma lei de cor… Não um poema, não um trecho de Shakespeare, mas sim um artigo do Código Penal, ou quem sabe do Código do Consumidor. Talvez o partido perfeito para ela fosse Celso Russomanno, sei lá…

 


 

O CRIME CONTRA A ESCRITA

Minha crítica, porém, é mais profunda: abrir mão de escrever, apagar sua conta.

 

Não se faz isso, em hipótese alguma. Por ninguém. Nem por amor, nem por ódio. Porque apagar seus escritos é apagar a si mesma, suas memórias.

 

Esse é um comportamento de loucura. Ela repete o mesmo padrão de tantas outras mulheres que conheci.

 

Um déjà-vu. Um eterno retorno do mesmo — Nietzsche que o diga.

 


 

O PARADOXO DA TOLERÂNCIA

Mesmo que fosse por minha causa — por nosso entrevero, por eu ter produzido um ambiente “tóxico”, como algumas inimigas gostam de pintar — ainda assim não valeria a pena apagar sua conta.

 

O paradoxo da intolerância de Popper é claro: os intolerantes ocupam os espaços que os tolerantes abandonam. Por isso não podemos ser tolerantes com a intolerância, se queremos que a tolerância prospere.

 


 

O LIMIAR DA LOUCURA E DA CRIAÇÃO

Nisso, ela é meio louca. Mas quem não é?

 

“Louca, eles dizem”… como ela mesma escreveu em um texto.

 

A criatividade flerta sempre com a loucura. O esquizofrênico e o criativo padecem da mesma patologia — mas o criativo é produtivo, consegue se controlar. Ambos, no entanto, compartilham uma imaginação ímpar.

 


 

OS MÉDICOS DA ALMA

Foucault tem um termo muito belo para falar da ciência que se ocupou da mente, dos transtornos psicológicos e psiquiátricos que emergiram a partir do século XVIII: os médicos da alma.

 

Quem não precisa de médicos da alma hoje em dia?

 

E qual a melhor forma de cultivar essa alma-jardim, senão regando-a com escrita, com material para o pensamento — que é cultura?

 

Bons livros, bons filmes, boas companhias. Mas, sobretudo, escrever sobre tudo isso.

 


 

O GRITO FINAL

Garota, menina: você está ficando louca de apagar sua conta, sua maluca?

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 28/09/2025
Alterado em 28/09/2025
Comentários