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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


Se eu fosse minha LEITORA, o que eu LERIA?

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



Falarei me referindo ao sexo feminino por razões de preferência, óbvias, mas falo para ao leitor em geral. Da mesma forma que se dizem “homens” como gênero da humanidade, para mim “leitora” também abarca todos os gêneros. Pois a literatura, em sua essência, é feminina.

 

E também é possível inferir que a maior parte de quem me lê, de fato, são mulheres.

 


 

O TEMPO DAS MINHAS LEITORAS

Tenho estatísticas do meu site e me surpreende ver que há pessoas — que só podem ser mulheres — que passam mais de uma hora ali, lendo.

 

Na sociedade do efêmero e do passageiro, eu não vendo espetáculo. Não faço vídeos. Só escrevo. E só se passa tanto tempo assim em algo que se gosta profundamente. Esse mergulho, esse frenesi em que não vemos o tempo passar.

 

Às vezes, nem mesmo um livro prende tanto hoje em dia. As pessoas assistem filmes em parcelas. Mas eu, humilde escriba, tenho leitoras que ficam mais de uma hora seguidas, mais de trinta minutos contínuos. Todo mês, pelo menos duas ou três fazem isso.

 

Homens não teriam esse espírito, esse gosto.

Em junho, por exemplo, foram mais de doze.

 

 


 

SE EU FOSSE MINHA LEITORA

Se eu fosse minha leitora, começaria pelas resenhas de filmes; e pelos textos de humor, antes de dormir, para me animar. Um atrás do outro, sem parar.

 

Depois, abriria os artigos culturais ao sabor do acaso, da contigência, do desejo e sorte, porque esses demandam mais atenção.

 

As crônicas… essas são quase como confissões agostinianas, reflexões pascalianas, ensaios de Montaigne. É o meu diário pessoal onde falo sobre tudo, mas sobretudo sobre o amor.

 

O amor não vivido. O amor ideal.

Nesse aspecto, sou como Ovídio: amei uma única mulher na vida — a minha. E através dela, dessa projeção ideal, amo todas as mulheres em geral.

 


 

O AMARGO PRAZER DA VERDADE

Sinceramente, se eu fosse minha leitora e eventualmente sentisse algo por mim, não gostaria de ler certas coisas que escrevo. Mas mesmo assim leria.

 

Leria porque veria que é sincero, inexorável, verdadeiro. Às vezes até artístico.

 

Escrevo ao sabor dos afetos e da contingência da vida. Nunca por cálculo, nunca pensando em produzir determinado efeito, nunca para alcançar mais público.

 

Como disse Elis Regina: eu dou o tiro, mas quem mata é Deus.

Não controlo as consequências da minha ação primordial. O bater de uma borboleta em um continente pode causar um terremoto em outro.

 


 

A FORÇA DA PALAVRA

Exemplo: comentei uma foto do Paulo Muzy, de capacete de corrida, ao lado da esposa. Escrevi:

 

“Também, ao lado de uma nave dessas, até eu, que não sei dirigir, chegaria em primeiro.”

 

E o próprio Muzy curtiu. Talvez tenha mostrado para a esposa, que riu da espirituosidade, procurou meu perfil, encontrou meu site… e hoje esteja entre as minhas leitoras de mais de uma hora. Vai saber.

 

Com as palavras certas, chamei a mulher dele de “gostosa” na frente dele. E ele curtiu.

 


 

O CANTO DO ESCRIBA

Tudo que faço é trabalhar, lapidar, a forma de falar, de me comunicar escrevendo. Essa forma me permite dizer inúmeros absurdos — já os disse — com aparência de inocência, como o canto da sereia, como o lobo vestido de vovozinha.

 

Mas não se elogia uma mulher levianamente, impunemente, ou com o direito de ferir outra.

 

O prazer está no elogio em si — talvez nem no objeto elogiado, mas no próprio ato de elogiar. Assim como a arte não está no corpo da modelo que posou para Praxíteles esculpir a Vênus de Milo, mas na escultura em si, nas mãos do artista que lhe deram forma.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 28/09/2025
Alterado em 28/09/2025
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