
Diante de problemas sérios, eu estoicamente não costumo me abalar, mas pequenos problemas cotidianos me irritam profundamente: pequenas contratempos como não achar as chaves na hora de sair, ou o fone não estar carregado na hora de caminhar, etc., etc.
É por isso que valores valem mais do que planos. Meus valores, que decido, dependem de mim; eu controlo. Agora, planos fogem totalmente do meu controle. Caso contrário, não haveria o gênero de comédia de erros, como Fargo, dos irmãos Coen, mas tudo começa com a peça de Shakespeare.
Hoje, as pequenas coisas deram errado. Esqueci meu Kindle e celular na academia — o antigo, mas valioso — que é o celular que uso enquanto faço caminhada. Bom, eles estão recarregando e eu tenho a chave. Espero que ninguém seja esperto ou mau-caráter ao ponto de arrombar e roubar meus pertences, e que amanhã de manhã ainda esteja tudo lá…
E minha lente de contato, que chegou hoje — primeira vez que chega pelo correio — trouxe a melhor expectativa possível. Eu, que necessito de lentes obviamente, corro, faço abdominal, dou cambalhatas, e não gosto de transar de óculos — não que eu faça isso, claro (transar) — e por isso elas são imprescindíveis.
Minha experiência com a lente foi a melhor possível: ótimo custo-benefício, confortável, a marca mais confortável que já usei. Tudo ótimo, exceto que a visão embaçou, incompatível com meu grau de 2.0 de miopia. Continuava vendo tudo torto, pelo simples motivo de que comprei errado: eram de hipermetropia.
Eu nem sabia que era possível usar lente para quem não enxerga de perto. Como eu iria saber a distinção? Bom… espero que haja ressarcimento. Mas eu esperava já usar a lente amanhã no treino, e no jogo contra o Vasco, no dia 1. O dia do jogo é só o prazo para eu ter uma resposta; imagina o prazo para devolver, receber o dinheiro de volta, comprar outra… o dissabor…
Gostaria de dizer que é o problemão de um homem branco cis bem-sucedido. Só que eu nem sou branco e muito menos bem-sucedido. Às vezes até duvido se sou homem e cis… até minha vizinha passar à minha frente e meu corpo reagir positivamente, e eu ficar de pau duro.
O fato é que, apesar das coisas ruins, as coisas boas que aconteceram foram devido ao meu próprio comportamento: aos textos que escrevi, a ter treinado, a ter tomado um sorvete de máquina vagabundo de 6 reais enquanto fazia minha caminhada diária, a me alegrar vendo a foto de aniversário do meu sobrinho de 5 anos, que me fez sorrir internamente igual na foto — apesar dos infortúnios diários…


E ter seguido fielmente não meus planos, mas meus valores.