
Os ricos criam uma vida de luxo, esterilizada, sem contato com a pobreza — ou com o mínimo possível. Interagem somente entre si, em bolhas sociais, em guetos às avessas, promovendo um verdadeiro apartheid social.
Frequentam lugares privilegiados, disseminando conhecimento, capital cultural e perpetuando o capital financeiro apenas entre iguais. Contribuem, assim, para a permanência do status quo.
O capitalista, o burguês, vive em condomínios onde gasta mensalmente mais do que paga a qualquer de seus subalternos.
As instituições de ensino só estão acessíveis a quem possui recursos financeiros ou acesso ao capital cultural para adquirir conhecimento.
Mas a formação privada, tão vangloriada, mostra-se frágil. Forma péssimos profissionais, mal preparados, incapazes de compreender o básico. São fruto de um ensino que deveria ser “o melhor” desde o pré-escolar, mas que gera uma massa amorfa, sem noção elementar de vida, de sociedade, de expressão — reduzidos a emoticons e frases mal articuladas, incapazes de dominar até mesmo a própria língua portuguesa.
Ao manter a maioria da população privada da possibilidade de atingir sua potencialidade, o capitalismo não apenas perpetua desigualdade social, mas compromete a si mesmo.
O abismo social, o impacto ambiental, a indiferença em relação aos vulneráveis — tudo isso limita a expansão máxima do lucro capitalista.
Sem mão de obra qualificada, sem instituições realmente sólidas, sem estímulo à criatividade, não surgem os novos líderes que poderiam gerar ideias capazes de multiplicar os lucros.
Paradoxalmente, a desigualdade que o capitalismo gera não produz apenas a pobreza subjetiva dos indivíduos. Produz também a pobreza objetiva e estrutural da própria alma do capitalista.
Seu espírito, voltado exclusivamente para os negócios, esquece-se das artes, da cultura, da empatia, da cidadania, do próximo.
O rico, então, torna-se mais pobre que qualquer mendigo. Mesmo vivendo em condomínios luxuosos, mesmo postando fotos em restaurantes caros no Instagram — legendas repletas de erros de português, sem saber sequer usar um vocativo e amigos de fachada elogiando com emoticons automáticos.
No fundo, resta apenas a pobreza de sentido.