
Não: não estou me referindo a Jesse Owens nas Olimpíadas de 1936, quando ele derrotou a propaganda nazista em Berlim, ganhando 4 medalhas de ouro: nos 100m, 200m, no salto em distância e no revezamento 4×100m. 
Vocês subestimam minha capacidade cognitiva e isso seria o senso-comum, o que todos repetem.
Décadas depois, outro negro maravilhoso — parafraseando Luís Roberto — emergiu em território brasileiro pra calar Hitler, fazê-lo revirar de ódio em seu túmulo pútrido e fétido, e vencer na Alemanha. Me refiro a Zé Roberto, craque de bola.
Sempre disse que não tenho ídolos no futebol. E adoro futebol. Mas não há personagens, nem mesmo treinadores — Tostão, Valdano, Menotti, Cruyff, Rinus Michels — que sejam tão filósofos do esporte, sujeitos cultos e revolucionários do jogo.
Talvez, se eu fosse flamenguista e tivesse nascido nos anos 60, Zico fosse ídolo — figura ilibada. Mas hoje reconsiderei minha opinião: meu único ídolo na história do esporte chama-se Zé Roberto.
Pelo seu modo de vida. Um craque de bola, personificação de profissionalismo e atleta; e que, mesmo aposentado, aos 43 ou 50 anos, continua com a vida exemplar de atleta, com a mesma disciplina e consistência. E o resultado é traduzido em sua imagem que, como diz Nietzsche, “não precisa de argumentos, basta observar.”



Mas ele, pela sua ética de trabalho, triunfou nos locais mais inóspitos para um negro — indo muito jovem para a Alemanha, vendido pelo Flamengo, adaptando-se a uma cultura diferente da nossa; para um preto nascido na periferia, vencer onde surgiu uma ideologia nefasta como o nazismo.
Foi primeiro para o Bayer Leverkusen e depois para o Bayern de Munique — um dos maiores clubes alemães e do mundo. 
Voltou ao Brasil supostamente para se aposentar, já veterano, mas jogou tanta bola de meia, que Luxemburgo, o Profexô, teve o brilho de explorar todo o seu talento - um talento que fazia diferença no padrão de qualidade do futebol brasileiro. Um jogador de nível europeu e mundial jogando em terras tupiniquins.
Ele jogou tanto que conseguiu a façanha de para o Bayern de Munique ainda mais velho e jogar muito novamente. 
Já bem veterano, chegou ao Palmeiras onde encerrou a carreira, ajudou e foi símbolo do momento de virada da instituição que não vivia seus melhores momentos; mas com a chegada de Zé em 2015, foi o ponto de virada. Ele ficou conhecido por sua afirmação — que se mostra mais verdadeira do que nunca —, batendo no peito seu e de cada jogador do Palmeiras (só de escrever eu me arrepio): “O Palmeiras é grande.” E no clube, jogou muito como lateral-esquerdo, e não me esqueço do golaço que ele fez num jogo decisivo em 2016, quando o Palmeiras foi campeão brasileiro e saiu da fila. Cuca, em uma de suas inspirações, resolveu colocá-lo de meia, e o Zé, desfilando talento e categoria, saiu cara a cara com o goleiro e deu uma cavadinha, à la Djalminha — coisa de craque, de quem sabe.
Ele disputou Copas do Mundo pela seleção brasileira: esteve presente em 1998 (vice-campeão), 2006, entre outras convocações. 
Não foi campeão do mundo, mas sua participação em competições de elite mostra sua relevância, longevidade e liderança.
E o shape dele — as fotos mostram a disciplina de um homem que tenho certeza poderia ser pai de jogador que nem no auge físico tem o esplendor de sua forma. Isso mostra que ser atleta não é uma condição permanente, é — ou não é — um estado de avaliação constante.
Você não é atleta só por nascer atleta; é atleta enquanto vive atleta.
E Zé definitivamente é um atleta, como mostram as imagens em que ele tem um shape mais atlético e definido do que quando jogava.
Por isso é motivo de inspiração pra mim e afirmo que é meu único ídolo no futebol. Gosto de observar para me motivar.
Agora que adotei um modelo de atleta híbrido que junta atletismo, mobilidade aeróbica e musculação, os maiores exemplos que tenho são Nick Bear e o brasileirozão Zé Roberto — o homem que calou Hitler de uma vez por todas.