
Presença de Anita é uma série do começo dos anos 2000 que eu não deveria ter assistido pela minha idade na época. Mas assisti.
Era a bela Mel Lisboa na pele de uma Anita irresistível, misto de tentação e inocência.
Às vezes, a vida imita a arte sem saber. Eu via a série muito antes de viver essa sensação de déjà-vu, como em O Homem Duplicado de Saramago.
Uma outra Anita, nascida até depois da exibição daquela série, deixou sua presença marcante na minha mente.
Uma presença irrecuperável, mas que permanece na memória.
E tudo se perdeu apenas por causa de uma frase. Talvez para lembrar a tragédia de quem escreve: como alguém que perde um objeto precioso na areia da praia e volta obstinadamente todos os dias para ver se ele retorna.
Mas o mar, com sua força inevitável, não devolve nada — só deixa marcas arrebatadoras, indeléveis, inexoráveis, necessárias. Marcas que não levam em conta nossos desejos.