
Algo que não podem me acusar nessa rede é de ser demagogo ou populista — se é que esses adjetivos cabem para falar de um anônimo como eu. Mas hipócrita eu não sou. No sentido de dizer uma coisa e fazer outra, não. Afinal, filosofia é pensar a vida e viver o pensamento.
Eu sou um cineasta que não filma, um filósofo que não publica, um escriba sem livro publicado. Só posso me relacionar com atrizes que nunca estrelaram nenhum filme ou modelos que nunca pousaram em revistas. Nós, artistas do cotidiano, nos retroalimentamos, já que o banal do dia a dia é quem mais precisa de nós.
Quando eu digo que aposto na minha melhor versão — como afirmei em meu último texto que você deveria ler, acessando o link abaixo:
ENERGIA SEXUAL CONVERTIDA EM POTÊNCIA
— eu faço o caminho inverso. Não olho do presente para o futuro, mas do futuro para o presente, como em 2001: Uma Odisseia no Espaço.
Penso: como quero chegar aos 60 anos? Que tipo de vida quero levar? E quais os caminhos preciso trilhar agora para chegar lá da maneira que imagino?
Minha relação atual com o Recanto passa por isso. Minha experiência melhorou muito depois que passei a aceitar comentários apenas de cadastrados do site. Acabaram os ataques pessoais.
Eu gostaria de interagir mais com os amigos recantistas, mas dentro dos meus objetivos, das minhas apostas, acreditem, não sobra tempo nem para mim mesmo — muito menos para coisas secundárias.
Eu deveria mover uma ação contra a Prefeitura de São Paulo exigindo meus direitos. Na verdade, dentro das possibilidades, eu já fiz isso. Mas poderia colocar ainda mais força para exigir e punir os culpados por violá-los.
Contudo, meus mais de 24 mil passos diariamente eu dei — religiosamente, praticamente no mesmo horário, como um relógio suíço.
Mantenho-me escrevendo, publicando diariamente, mantendo minha planilha de treinos. Entendo que, se eu não cuidar da saúde e atingir minhas metas nesse momento, dificilmente haverá outro mais adequado.
Minha imagem, minha postura, refletem minha ética de trabalho sem que eu precise abrir a boca. Como um produto da Apple, minha imagem imputa valores nas pessoas: quais são minhas convicções, minha visão de mundo. Do mesmo modo, a negligência e o sedentarismo refletem o contrário.
Como diz em Pierre Le Fou, de Godard, eu gostaria que o tempo tivesse 48 horas. Mas, se tivesse, eu provavelmente escreveria ainda mais. Talvez aí pudesse encaixar um filme, algumas páginas de livros, algum tempo de vídeo-game.
Mas, como ensina a sabedoria de Eclesiastes: há tempo de semear e há tempo de colher. Agora é tempo de plantar. E você colhe exatamente aquilo que plantou cinco anos atrás, e colherá no futuro os frutos do presente.
Prometi ajudar um amigo a desenhar a tatuagem no ChatGPT, uma que ele pretende fechar o braço. Ele pode me acusar de não sobrar tempo para ajudá-lo, mas de sobrar para minhas próprias coisas.
Ora, são questões de prioridade. Se até eu mesmo me deixo de lado em nome das minhas apostas futuras, o que é menos importante também pode esperar.
A tatuagem dele pode esperar. Minha melhor versão de cada dia, não.