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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

FEMINISTAS, NÃO POLITIZEM O DESEJO SEXUAL


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



A CAMA COMO ESPAÇO SAGRADO

A cama, como eu já disse, é lugar de consenso e entendimento mútuo, não de discussão de gênero ou de classes.

 

Eu relatei a relação rompida com quem eu admirava porque escrevi que imaginei a cena que ela mesma descreveu, besuntada de azeite.

 

Se eu fosse escrever o que eu realmente queria, é que eu queria eu mesmo espalhar o azeite pelo corpo dela lentamente e deslocá-lo com as mãos, com a língua, por todo o corpo, explorando todas as suas curvas, todos os detalhes, me deleitando com cada suspiro de prazer e contração de aceitação que ela desse como aprovação aos meus gestos — gestos que, em êxtase, me conduziriam a explorar a escultura humana, aquela Vênus de Milo, como Praxíteles, que estava à minha frente.

 

E, quem sabe, até usar a capacidade lubrificante do azeite no ato sexual…

 

A língua do desejo é mais coloquial. Na verdade, o próprio desejo não sabe se expressar perfeitamente. Muitas vezes ele é mais eloquente através de sons, gestos e gemidos.

 

Nesse lugar sagrado que é a cama, onde santas se tornam putas no efêmero espaço etéreo onde reside o desejo, puta se torna um elogio.

 


 

A MALDIÇÃO DA POLITIZAÇÃO

É contraproducente tentar politizar o desejo, censurar as palavras do sexo.

 

Uma mulher não é puta por se entregar consensualmente a um homem por quarenta minutos. Mas quarenta anos de mau-caratismo sim fazem de uma mulher uma puta. Ser puta não é questão de um ato isolado, mas de reputação.

 

Nem mesmo quem faz a troca de sexo por dinheiro é puta, porque afinal dizem que é a profissão mais antiga do mundo. Outros afirmam que é a vocação mais antiga da mulher: a de ser puta.

 

Mas roubar os direitos dos outros sem permissão, principalmente quem deveria defendê-los, como a desassistente social obesa que me atendeu — isso sim faz dela uma puta.

 

E nada contra obesos. Mas às vezes a aparência das pessoas reflete seu estilo de vida e seu mau-caratismo. E cada quilo acima do IMC que ela tem, ela tem também de covardia.

 


 

A PALAVRA QUE NÃO GOZA

Voltando ao desejo: uma escritora aqui do Recanto escreve textos eróticos, mas cheios de dedos para escrever a palavra gozar.

 

É por isso que muitos não conseguem gozar: se até escrever a palavra já é difícil.

 

Isso é reflexo da nossa sociedade ética, moral, cristã, kantiana e patriarcal, que impõe à mulher submissão ao homem e culpa por sentir prazer.

 

Inclusive, a consciência de sentir tesão na hora do sexo é acompanhada de um sentimento de culpa, e a dor das consequências vem como punição. Ela arca com todas as consequências psicológicas e genéticas de uma relação sexual, enquanto o homem goza e sai fora.

 


 

A EDUCAÇÃO SEXUAL QUE NÃO EXISTE

A forma como a sexualidade é veiculada na mídia, nas redes sociais, na pornografia, tudo corrobora a visão sexual pela ótica do homem.

 

Esse homem, egoísta, mas também influenciado por uma sociedade reforçadora, aprende a pensar apenas no próprio desejo e esquece da parceira.

 

Muitos não sabem que a mulher, para ficar excitada, precisa de quinze minutos a mais que o homem para o sangue chegar até sua vulva. E muitos terminam o sexo antes desse tempo.

 

E que preliminar não é só tocar o corpo — vai desde o cardápio escolhido no restaurante, elogiar a parceira, puxar a cadeira para ela sentar, até levar um copo d’água no dia seguinte, se ela acordar com sede.

 

Não existem muitos vídeos assim no Xvideos. Nem na educação sexual.

 


 

A LINGUAGEM QUE LIBERTA

Muitas mulheres leitoras de Deleuze se dizem feministas, mas não enchem a boca nem para falar pau.

 

Eu não quero uma mulher que diga que vai chupar meu pênis. Isso até diminui o tamanho dele.

 

Me faz até lembrar aquele quadro do Porta dos Fundos, Village People, em que o Fábio Porchat faz um empresário hétero se passando por gay só para entrar no grupo e chama o pau de “belíssimo pênis”.

 

“Pênis… é assim que você chama a rola?”, diz Gregório Duvivier.

 


 

O GRITO CRU DO DESEJO

Eu quero que a garota, quando sair comigo, encha a boca e diga que vai chupar meu pau, meu caralho, que pau gostoso…

 

Isso com certeza o deixará ainda maior.

 

Sem asterisco, sem censura.

 

E, para corroborar meu discurso, deixo a primeira página do Anti-Édipo, de Deleuze, que algumas feministas gostam de citar, para mostrar como a linguagem pode ser transgressora e libertadora — e ainda assim sinônimo de cultura.
 

[I.1. A PRODUÇÃO DESEJANTE]

Isso funciona em toda parte: às vezes sem parar, outras vezes descontinuamente. Isso respira, isso aquece, isso come. Isso caga, isso fode. Mas que erro ter dito o isso. Há tão somente máquinas em toda parte, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com seus acoplamentos, suas conexões. Uma máquina-órgão é conectada a uma máquina-fonte: esta emite um fluxo que a outra corta. O seio é uma máquina que produz leite, e a boca, uma máquina acoplada a ela. A boca do anoréxico hesita entre uma máquina de comer, uma máquina anal, uma máquina de falar, uma máquina de respirar (crise de asma). É assim que todos somos

"bricoleurs" ,NT cada um com as suas pequenas máquinas. Uma máquina-órgão para uma máquina-energia, sempre fluxos e cortes.

O presidente SchreberT tem os raios do céu no cu. Ânus solar. E estejam certos de que isso funciona. O presidente Schreber sente algo, produz algo, e é capaz de fazer a teoria disso. Algo se produz:

efeitos de máquina e não metáforas.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/09/2025
Alterado em 14/09/2025
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