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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

A CONDENAÇÃO AMOROSA DE UM ESCRIBA


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



PREVIOUSLY ON MINHA PÁGINA

Como se dizia na abertura de 24 Horas, com Jack Bauer tentando salvar a América — tipo o Xandão salvando a democracia no Brasil dos golpistas e do Bolsonaro: Previously on 24.

 

Anteriormente, na minha página, eu havia dito que todas as mulheres são especiais.

 

E é verdade.

 

Mas, parafraseando George Orwell em A Revolução dos Bichos: Todos os animais são iguais. Mas alguns animais são mais iguais que outros.

 

Da mesma forma, algumas mulheres também são mais especiais que outras.

 

E a que meu coração escolheu amar é a mais especial entre as especiais.

 

Se Sartre diz que somos condenados a ser livres, eu sou condenado a amá-la.

 


 

A PROVA DE UMA EXISTÊNCIA

Essa é uma condenação para toda a existência, cuja prova maior é o meu site — DaveLeDave.recantodasletras.com.br — e o próprio Recanto das Letras.

 

Naqueles textos em que falo dos meus relacionamentos no Recanto, além da unanimidade de todas serem bonitas, todas falaram coisas semelhantes:

 

— Que loucura essa sua história, às vezes acho que essa personagem nem existe e é fruto da sua verve artística.

 

— Ou, mais empaticamente: Queira amar quem te ama, Dave. (uma delas insiste em nunca me chamar de David).

 

— Outras duas diziam: Se ela realmente te amasse, estaria aqui comentando, interagindo, e não ausente como essa por quem você diz estar apaixonado.

 

Uma delas até era — ou é, não sei — casada. Mas deixa eu ficar quieto.

 


 

O AMOR COMO PRISÃO

Isso também prova como o amor é egoísta.

 

Uma questão biológica de reprodução da espécie.

 

Porque imagina: se vou começar a me relacionar com alguém, como não vou contar um dos meus hobbies, que é a escrita?

 

Como ter um relacionamento sério sem contar que tenho um site há anos, que certamente aumentaria ainda mais o nível de admiração da pessoa — e a admiração é um dos primeiros elementos para que nasça o amor, como diz Stendhal.

 

Mas como ela vai receber os textos em que falo abertamente do meu passado amoroso com outra pessoa?

 

Confesso que é difícil.

 

Por isso falo que estou condenado a amá-la através da minha página.

 

Imagina: estou comemorando um ano de namoro, minha namorada feliz, mas ao entrar no site ela encontra não só uma resenha de um filme de amor, mas também um espaço dedicado à mulher que me inspirou no Recanto.

 

Textos sobre sexo ocasional, drogas, aventuras — isso as mulheres nem perguntam uma segunda vez, relevam numa boa.

 

Mas quando o assunto é amor…

 


 

A CONDENAÇÃO EXISTENCIAL

Todos os conselhos fazem sentido dentro da racionalidade.

 

Mas dizer para eu deixar de amá-la de uma hora para outra, como se fosse pedir a um diabético para voltar a produzir insulina — e ainda culpá-lo por não produzi-la.

 

Sei lá.

 

O fato de ela não estar presente é difícil de explicar ou defender.

 

Nunca a vi pessoalmente.

 

Não sei sua voz.

 

Só conheço seus escritos e suas fotos na resolução de pixels.

 


 

O PSEUDÔNIMO, O STALKING E O DOSSIÊ

Mas o fato é que fiquei feliz quando supostamente descobri o pseudônimo dela aqui, escrevendo sobre nós — de maneira enviesada, com estilo mais minimalista, menos sofisticado e mais sentimental.

 

Uma página no Instagram também, com ilustrações e legendas muito bonitas.

 

Ambas largadas às traças atualmente.

 

Mas nesse perfil ela dizia ter um blog secreto, escrevendo sobre nós há anos, muito antes de eu entrar no Recanto e “reencontrá-la” através do pseudônimo.

 

E pior: embora aparentemente eu seja o stalker dela, tenho evidências fortes de que ela conversava com minhas vizinhas de casa para saber sobre mim, pesquisava sobre minha vida e conhecia meu endereço ao ponto de mandar um envelope com meu nome e todos os e-mails que escrevi para ela.

 

Chegaram a me ligar aqui em casa, conversaram com meus ex-sócios.

 

Têm um dossiê completo sobre mim.

 

Pode não ser amor, mas nenhuma garota que se interessou por mim foi tão a fundo na minha vida quanto ela.

 


 

O CACHORRO E O DONO

Sartre diz em A Náusea (ou talvez Camus em O Estrangeiro), algo típico do existencialismo: como os cachorros se parecem com seus donos.

 

Ele narra o caso de um homem que maltratava seu cão, mas quando o cachorro foi embora e alguém perguntou por que não arrumava outro, ele respondeu: É que já tinha me afeiçoado àquele.

 

Assim são muitos casais: ficam parecidos uns com os outros e não se largam, às vezes, mesmo se odiando.

 

Ontem, no trem, vi uma cena que me chamou atenção.

 


 

O CASAL NO TREM

Um casal otaku, jovem, início da vida adulta.

 

Ele, mais cheinho, sobrepeso, sem forma física, sedentário, de moletom surrado, sujo, preto, desbotado, alargado. Mas não era feio, apesar das marcas no rosto deixadas por espinhas maltratadas.

 

Ela, magra, corpo de modelo, bonita de rosto, mas meio weirdo, esquisita.

 

Mas dava para ver que, com a roupa certa e sob a influência certa, sua beleza ganharia outros destaques.

 

O que me chocou foi a cena: ele sentado, ela em pé.

 

Um cavalheirismo às avessas.

 

Justo ele, que além do gesto gentil, se beneficiaria das calorias de ficar em pé.

 

E ela, ternamente, beijava seus lábios e mexia em seus cabelos.

 

Em vez de achar fofo, senti a bílis subir.

 

Não é à toa que ela também usava um moletom desbotado de anime e um All Star sujo.

 

E aqui nem falo de moda ou gosto, mas de higiene.

 

Esse casal, de certa forma, comprova o que Sartre dizia sobre os cachorros e seus donos.

 


 

O HOMEM COMO REMIX

Alguns homens são como um bom remix de uma mulher — numa metáfora musical.

 

Eles a valorizam, harmonizam, tiram dela o que há de melhor: ritmo, batida.

 

Algumas chegam a ser mais conhecidas pela versão remix do que pela original.

 

Como I Follow Rivers da Lykke Li, no remix do Magician, que coloco hoje na capa do meu site daveledave.recantodasletras.com.br — comparem com a original.

 

Ou o remix de Chandelier da Sia pelo Plastic Plates.

 

Ouça aqui.

 

Mas alguns remixes destroem as músicas.

 

Desvalorizam.

 

E alguns homens são assim.

 


 

BALÕES, ÂNCORAS E TATUAGENS

Numa metáfora mais simples: alguns homens são como balões para as mulheres, outros são âncoras.

 

Mas o homem que é balão pode voar alto demais — como na pintura de Banksy, minha próxima tatuagem, que, para quem leu até aqui, é autoexplicativa. Como prova do meu passado, da minha vida, assim como o bracelete em formato de película cinematográfica.

 

A imagem de Banksy aparecerá assim:


 

Em cima: FLY.

 

Embaixo: HIGH.

 

A menina fica sem o balão que voa alto.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/09/2025
Alterado em 14/09/2025
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