× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

Que RAIVA tenho de BANDIDO, começando por Bolsonaro.


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



A RAIVA DE BANDIDO COMEÇA POR BOLSONARO

Não, não vou falar aquela estupidez de que bandido bom é bandido morto. Tampouco vou cair na idiotia de defender direitos humanos apenas para “humanos direitos”.

 

Defendo, sim, que Bolsonaro apodreça na cadeia — mas sendo condenado com o devido processo legal, tratado com dignidade, diferentemente do que aconteceu com o ex-presidente Lula, condenado sem provas por um juiz incompetente.

 

Mas não dá para passar a mão na cabeça de bandido.

 


 

UMA GARRAFA GELADA E UM PAÍS QUENTE

Minha mãe me alertou: “tome cuidado, não vá deixar roubarem sua garrafa”.

 

Ora, a embalagem promete água gelada por 18 horas. É de um litro. No rótulo se lê — embora falte um ponto, culpa de um marketeiro analfabeto: “Amor à vida. Amor aos esportes.”



 


 

E então eu pergunto: estaria essa garrafa melhor na mão de um bandido do que na minha, alguém que caminha 24 mil passos por dia?

 


 

O DIREITO À PROPRIEDADE E O LUXO DO TEMPO

Escrevo este texto no meu iPhone Pro Max 16, que comprei há uma semana. É claro que não caminho com ele, não dou bobeira na rua. Mas é um bem adquirido, um direito que me cabe.

 

Tenho nele minha franquia favorita de jogos: Resident Evil. Comprei um controle premium, um cabo HDMI. Posso jogar todos os Resident Evil modernos na TV, com máxima resolução, sem travar.
 

 


 

 


No entanto, desde que comprei, não joguei nem uma hora.

 

Posso baixar demos gratuitamente, experimentar por um tempo, e comprar o jogo completo na loja da Apple. Há títulos AAA, como Game of Thrones, um RPG na linha de Elden Ring — embora este não me atraia, pois nunca me interessei por Game of Thrones.

 

A verdade é que meus 24 mil passos, que somam mais de três horas de caminhada, valem mais do que qualquer tempo gasto jogando. E as horas que investi escrevendo superam — em muito — as que gastei me divertindo.

 


 

A HIPOCRISIA DO DISCURSO

Hipocrisia é a distância entre o que se fala e o que se faz.

 

Muitos querem emagrecer, ganhar músculo, ter estilo de vida saudável, serem mais inteligentes… mas só no discurso, só na teoria.

 

As pessoas veem apenas o resultado: a barriga chapada, o abdômen definido, o percentual de gordura baixo. Não enxergam o processo necessário: a restrição calórica, as renúncias, os sacrifícios.

 

O resultado será tanto maior quanto maior o sacrifício a que você se dispõe — desde que seja lícito, claro, e o objetivo seja honesto.

 


 

ESCOLHAS, RENÚNCIAS E FELICIDADE

Para mim seria mais fácil usar esse tempo para jogar videogame ou assistir filmes. Mas até agora, não vi nenhum filme. Escrevi textos.

 

E me senti mais feliz com a garrafinha que mantém a água gelada por 18 horas do que com o próprio celular. Ficaria ainda mais feliz com um tênis ultra confortável, que não machucasse minhas articulações, que prevenisse lesões, que me desse mais saúde e consistência.

 

Mais feliz com ruas limpas e planas, ar puro, cidadãos e motoristas respeitosos.

 


 

QUEM MERECE MEUS BENS?

Pergunto: seria justo que meus bens estivessem em melhores mãos na mão do bandido?

 

A garrafinha estaria melhor com alguém que não caminha, que não ama o esporte? O celular serviria mais a quem ostenta do que a mim, que só quero produtividade, velocidade, confiança, design limpo, um sistema único que agrega valor e que acompanho há décadas?

 

Um indivíduo qualquer poderia simplesmente subtrair esse recurso, que facilita a minha existência e meu modo de vida? Arbitrariamente?

 

Foi o que a assistente social obesa fez comigo recentemente: subtraiu algo sem direito, sem justiça.

 


 

O SOM SUBTRAÍDO

Tenho uma caixinha JBL e dois pares de fones. Mas um deles me foi roubado: alguém levou minha bolsa achando que o fone estava dentro, e restou-me apenas o case.

 

Eu, que sempre caminho ouvindo música ou aprendendo algo. Eu, amante da música. E o meliante teria dado a esse objeto um uso mais nobre que eu?

 

Difícil acreditar.

 


 

O BRASIL ENTRE BANDIDOS E CADEIAS

É por isso que não dá para passar pano para ladrão. Não para o Brasil de Bolsonaro.

 

Mas também defendo que todos, sem exceção, sejam tratados com dignidade na cadeia, como seres humanos que são. Que possam ser punidos com rigor, sim, mas também ter a chance de se reintegrarem à sociedade.

 

Assim é que a justiça deve se impor: firme, mas humana.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 12/09/2025
Alterado em 12/09/2025
Comentários