
Todas as mulheres são especiais. Cada uma a sua maneira. Não é meu esse pensamento. É de Truffaut, em uma de suas personagens, talvez em Beijos Proibidos ou em Domicílio Conjugal, não me lembro. Em Antoine Doinel, protagonizado por Jean-Pierre Léaud, eterno rosto da nouvelle vague, ele brilha.
Posso constatar isso no dia a dia, inclusive aqui no Recanto das Letras, com minhas experiências de, digamos, affair social para além das letras. Eu sou o que os franceses apelidaram de coquetier. Afinal, nunca escondi de ninguém que só entrei aqui por causa de uma pessoa.
Mas o incrível é que justamente isso é o que mais mexe com a vaidade das mulheres. Elas aceitam tudo. Menos que outra mulher desperte mais amor que elas.
Todos os casos — e não são poucos — as garotas têm a coincidência de serem incrivelmente belas, com uma beleza acima da curva de Gauss. E na maioria das vezes a capacidade de escrita acompanha a beleza. Não todas, é claro. Eu, como alguém que escreve, um escriba, devo valorizar minha arte.
Afinal, bem material o dinheiro compra. Mas como mensurar o preço da beleza de um belo texto, de um pensamento, de cultura?
Eu homenageio cada uma à maneira que sei: dedicando a ela um texto único. Curiosamente — ou talvez sempre — ganho aumento de leitura nesse texto exclusivo para cada uma delas.
É a minha maneira de homenageá-la e de dizer, de algum modo, que cada uma é única e me marca de maneira especial. Mas elas não podem me pedir que eu faça aquele procedimento de O Eterno Brilho de Uma Mente Sem Lembranças e sumir com minhas memórias — ou, pior, deletar minha conta no Recanto das Letras; isso seria apagar quem eu sou.
Como diz Douglas Adams, será que não podemos admirar um belo jardim sem imaginar que fadas vivem nele? É essa imaginação que me move: transformar admiração em palavra, magia em texto, o efêmero em perdurável.
Mas as garotas confundem, como até às vezes eu mesmo confundo, o eu lírico (o Dave) e o David.
O Dave tem esse estilo às vezes gentil, às vezes grandiloquente, histriônico até, ora elegante, ora combativo, às vezes inspirado, artístico.
O David é banal: o cara que treina, dorme, ex-dependente, com suas fragilidades emocionais e fisiológicas, que sente sono, fome, que se masturba, que às vezes dá sorte de um encontro fortuito, mas faz o calculo utilitarista pra ver se realmente compensa.
Como diz, muito apropriadamente, Balzac a respeito dos dândis: aparentemente é um novo Alexandre, mas provavelmente um Hércules sem emprego.
Comecemos com o caso da menina que comecei comparando com a Clarice Lispector. Claro que foi um exagero estilístico meu, mas fato é que ela tinha talento além de beleza.
Eu relatei meu caso de dependência química, internação. O cabelo dela era dourado como o fio de Ariadne entregue a Teseu para fugir do labirinto do Minotauro. Ela devia ser como a Aurélia de Senhora, de José de Alencar.
E ela, há 4 anos de Recanto, nunca havia trocado a foto. Depois de nossas interações, ela trocava foto a cada duas semanas. Juro: uma mais bonita que a outra.
Houve o episódio da nossa ruptura. Eu disse que imaginei a cena que ela descreveu: ela besuntada por azeite. Mas não foi por isso que ela parou de falar comigo. O que ela não tolerou foi ler a série de textos em que falo do meu amor por quem me motivou a entrar no Recanto das Letras.
Desde então, ela apagou a foto e hoje é o período em que está há mais tempo sem publicar no site. Não sei até onde o que narro dessa história tem relação de causa e efeito. Mas não pode ser coincidência.
O que certamente não é coincidência é a professora de sociologia. Ela criou um monte de perfis para interagir comigo, inclusive no Instagram, e apagou todos depois que leu sobre meu antigo passado amoroso.
Até hoje as mensagens dela podem ser lidas por ali. É uma pena, porque é uma linda. Uma musa de fato.
Outra loira — daqui a pouco vão me acusar de eugenista — mas essa só era bonita. Ela me adicionou no Instagram, mas nem sabia escrever. Foi uma veleidade minha. Pura questão de amor-gosto, como diz Stendhal. Também tinha 19 anos, a idade cabal da minha vida.
Aliás, um exercício: pense você, mulher. Se eu desse aula no ensino médio, vocês que conhecem meus looks, minha aparência, começasse a ensinar para garotas dessa idade, da maneira que me visto, que me porto, as coisas que escrevo aqui pra vocês…
Eu posso dizer que, no mínimo, com sorriso malicioso no rosto, as alunas iriam prestar muita atenção na aula, viu?
Mesmo se eu fosse homem, eu gostaria de me ter como professor.
Mas voltando… agora falemos de morenas para variar.
Uma morena que, por ser de origem alemã, contrariava sua genética. Não sei por que não nasceu loira. Aliás, a irmã dela é muito bonita e, só por respeito à nossa amizade, não ousei nenhuma aproximação. Mas fica meu elogio.
Eu tenho que tomar cuidado para não revelar identidades, até pela profissão das pessoas. Mas não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para descobrir, né?
Ela é uma grande amiga. Só não peça favor a ela, principalmente se for relacionado à pessoa que me inspirou a entrar no Recanto das Letras.
E também só ela me seguia no Instagram que eu utilizava só para seguir perfis de artistas. Eu seguia a loirinha de 19 anos e ela me seguia de volta. Um perfil privado. Teve um dia que ela me cobrou, me perguntou quem ela era. Coincidência ou não, desde esse dia ela parou de me seguir e paramos de conversar.
Mas também a loirinha era tão chata que só fui perceber o ocorrido depois de dias…
Ela, cujo apelido me remete a flores, me convidou a passar um fim de semana na capital de uma das mais belas ilhas paradisíacas do Brasil.
Pra mim, é igual à proposta que Calipso fez para Ulisses: a imortalidade. Mas ele preferiu Penélope e Ítaca.
Com certeza a gente teria um final de semana agradável. Só que, na época, logisticamente seria desgastante, embora certamente valeria a pena.
Se você ler isso aqui… se a proposta ainda estiver disponível… eu aceito, viu.
Mas tenho que ser sincero: embora ela seja bonita e inteligente, o triunfo da proposta era mais o local.
Mas de todos os casos, nada supera a fake, Analuz, que postava fotos de atrizes da Globo. Mas aí eu fui trouxa. Nem vou narrar essa história.
E da menina, que é bonita também, escreve bem, inteligente, gosto dela como amiga.
A gente tinha intimidade, ela tinha meu WhatsApp. Mas definitivamente ela não precisava me mandar vídeo supostamente transando com um cara que conheceu na internet.
Ora, se o sexo foi tão bom, por que em vez de estar em uma segunda ou terceira vez, estava mandando vídeo para mim — que não pedi — da transa com um desconhecido?
Algumas relações eu aprendi que a gente tem que deixar no campo da admiração, saber manter a liturgia da distância.
Bom… até minha próxima história de amor. Quem sabe não seja com você!!!