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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

A IMPORTÂNCIA DA CURADORIA NA ERA DAS REDES SOCIAIS



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



UM DIÁLOGO SOCRÁTICO

Tudo começou em um diálogo socrático.

 

Você sabe: a maiêutica é a arte do pensamento que surge através da conversa entre duas partes. Como sugere a etimologia da palavra, do grego, um novo sentido nasce da síntese entre ideias.

 

No caso, eu e meu irmão conversávamos. Perguntei: “Você lembra daquela música cujo refrão era mais ou menos assim… too many flashlights out… and flashlights and explosions?”

 

Ele pensou um pouco, mas logo matou: “Sim, negro” (como ele me chama), “é Röyksopp, uma banda norueguesa, se não me engano.”

 

E era mesmo. Uma música de 2005, que fez muito sucesso. Não é comum uma dupla da Escandinávia alcançar reconhecimento mundial.

 

No cenário indie, a banda de maior sucesso é, sem dúvida, The Hives (da Suécia), que explodiu no ano 2000 junto com os Strokes. Röyksopp surgiu na mesma época, com o álbum Melody A.M.. A faixa de maior sucesso é Eple, que você com certeza já ouviu em algum lugar (ouça aqui).

 

Mas a melhor música do álbum não é essa, e sim Sparks, que eu ainda colocarei na capa do meu site amanhã, pra quem quiser escutar. AQUI. Link: daveledave.recantodasletras.com.br.

 


 

A VERSÃO PERDIDA NA MEMÓRIA

Porém, a música de que meu irmão falava foi single apenas em 2005: What Else Is There? — que bombou.

 

Mas eu não fiquei satisfeito com a resposta. Na minha memória musical, a versão que eu tinha em mente não era a original. Era outra, muito superior.

 

Pesquisei todas as versões lançadas — nenhuma correspondia. Vasculhei os remixes oficiais, nada. Pensei que talvez Justice, MSTRKRFT ou Vitalic tivessem remixado. Para minha surpresa, o Vitalic realmente fez uma versão oficial… e o resultado ficou decepcionante.

 

Com muito afinco, percebi que minha memória não havia falhado. A versão que eu guardava, mil vezes melhor que a original, pode ser escutada na capa do meu site: daveledave.recantodasletras.com.br. Atualizei, a antiga está disponível aqui: https://youtu.be/R1zD48BGX84?si=5ITwUIhkgIh_2Lra

 


 

A CURADORIA COMO RESISTÊNCIA

Essa história simples comprova algo que parece perdido: a importância da curadoria hoje em dia.

 

Vocês pensam que é o ChatGPT que escreve meus textos. Que para achar a música eu joguei no Google, fiz um muxoxo com a boca e achei o resultado por mágica.

 

Acham que meus textos são escritos por algoritmos, que os cineastas, livros e filmes que cito vêm de uma inteligência artificial. Como se eu não fosse eu, mas um fantasma digital. 

Eu acho que às vezes vocês pensam que estão na página da Elixandra Costura e Pensamento, e não na minha

 

Amigos, como diz Nietzsche, retribui-se mal ao mestre permanecendo eternamente discípulo.

 


 

AUTONOMIA INTELECTUAL

Eu só sei Nietzsche porque conheço Scarlett Marton, Giacoia, os maiores especialistas no Brasil. Mas por que eu tenho que pensar apenas o que eles pensam?

 

Nietzsche dizia: intelectuais são como relógios — só sabem repetir as horas, isto é, as ideias dos outros.

 

Aprendi muito com Dostoiévski por meio de Vassoler, mas não sou obrigado a fazer eternamente seus cursos no Hotmart para legitimar minhas ideias.

 

Os livros estão disponíveis a todos. É ótimo que professores como ele possam viver disso — em um país sério deveriam ser mais reconhecidos e melhor remunerados, sem precisar militar para sobreviver.

 

Mas é essencial termos humildade para aprender com quem sabe mais, sem abrir mão da autonomia para pensar por nós mesmos.

 


 

O TRABALHO INVISÍVEL DA FORMAÇÃO

Eu conheço Deleuze porque estudei com Orlandi, Roberto Machado, Fuganti, Amauri Ferreira. Vi praticamente todos os cafés filosóficos, todo o conteúdo gratuito da Casa do Saber, desde 2016, lendo e estudando com consistência.

 

Não fiz o download do conhecimento. Não fui engravidado como a Virgem Maria pela revelação. O conhecimento é uma produção longa, um trabalho de anos.

 


 

ESTETA, DANDI E LOBO DA ESTEPE

Hoje isso está se perdendo.

 

André Barscinski, que vive de cultura, precisa militar para pagar as contas. Eu escrevo por desassossego intelectual, como Bernardo Soares: o intelectual improvável, o esteta, o dândi moderno, o lobo da estepe.

 

Essa bandeira da elegância, da beleza e das boas maneiras — perdida para muitos — eu carrego sozinho, como Sísifo carrega sua pedra.

 

Escrevo porque é o que me mantém vivo, na minha montanha mágica, suportando a guerra da vida. Como Hans Castorp em busca do amor, da Madame Chauchat.

 


 

A INTERNET SEM CURADORIA

Mas no mundo atual, em vez de Barscinski, de Massari, de Vassoler, quem faz sucesso é um Julio Ettore — alguém que pega informações do Google, compila e posta em vídeo.

 

Não é especialista como Barscinski, como Massari, como Isabela Boscov em cinema, como Vassoler em literatura russa.

 

Sem curadoria, as pessoas naufragam na internet.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 11/09/2025
Alterado em 12/09/2025
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