
“O essencial é invisível aos olhos.” Será mesmo?
Quando eu treino, é nítido: eu chamo atenção. Arrisco dizer que de ambos os sexos.
Meu percentual de gordura deve estar abaixo de 10%, talvez 8%. Mesmo com relativa baixa massa magra — pesando apenas 58 quilos para alguém de 1,71 m — meu músculo está extremamente vascularizado.
E mesmo pegando pouco peso, fazendo bíceps com halteres de apenas 5 quilos, todos os meus vasos sanguíneos dilatam, a ponto de eu parecer fisiculturista. É algo que chama atenção de longe. Eu percebo, juro: as pessoas param o que estão fazendo para olhar. Pensam algo como: “não é grande, mas eu queria isso aí pra mim.”
Arrisco dizer que, em toda a academia, não há ninguém com músculos tão vascularizados quanto os meus. Isso é sinal de uma boa dieta, do rigor do meu cotidiano de 24 mil passos diários e do baixíssimo percentual de gordura.
E mesmo com tão baixo percentual de gordura, meu abdômen ainda não aparece. A culpa é minha: muito chocolate, muito açúcar, muito sódio, muita gordura saturada — que eu sei que dá para cortar.
Se não fosse meu alto nível anaeróbico, eu poderia até estar barrigudo, em vez de ter menos de 10% de gordura. Falta consistência nos abdominais, disciplina no vacuüm, foco. É possível, mas exige algo além da estética: exige o espírito.
Mas o texto não era sobre mulheres?
Homens dizem que quando um homem é bonito ele tem presença. Eu não me acho bonito. Mas fato é: eu tenho presença quando chego a um lugar.
Hoje, tanto pelo porte físico quanto pela elegância. Tudo veste bem em mim. Igual modelo.
A atividade física é a melhor maquiagem. Faz bem para a pele, queima gordura, afina o rosto, acentua os traços, dá expressão. A gordura, ao contrário, esconde e apaga.
Na academia, existe uma máquina para elevar as pernas, trabalhar o abdômen inferior. Ela fica num canto remoto. Coincidência ou não, algumas mulheres sempre escolhem treinar ali quando eu estou nesse exercício.
E a academia não é pequena. Mas convenhamos: o movimento é bonito, elegante. Eu mesmo, no Instagram, gosto de assistir homens fazendo, para me motivar.
Imagine, então, uma mulher me vendo ali, ao VIVAÇO.
Porém, sim: o essencial é invisível aos olhos.
Garoto, garota, vocês não conhecem o que está por trás do meu corpo. O essencial é o conhecimento que me faz executar a técnica correta, que me dá disciplina, que me ensina a dieta, que me conduz à consistência de caminhar religiosamente todos os dias.
O essencial são as reações químicas que ninguém vê. Os processos invisíveis no meu cérebro. As sinapses que me tornam criativo, que me permitem escrever este texto, articular uma ideia, ler e ter um insight, atrelar conceitos abstratos e distantes de forma original.
O essencial são minhas ideias, meu humor, minha gentileza, minha criatividade.
Essa é minha distinção. Essa é minha forma de reinventar, à minha maneira, o dandismo para o século XXI.
E aquela maldita raposa chata do Pequeno Príncipe continua a ter razão.