
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Jürgen Habermas disse que, a partir do século XVIII, com a emergência da burguesia, surgiu o espaço público onde eram debatidos assuntos não só privados, mas também coletivos. Nesse espaço, em consenso, as pessoas eram convidadas a dar sua opinião.
Mas já na Grécia Antiga as pessoas discutiam a opinião pública na ágora. Eram, contudo, assuntos muitas vezes banais, como a delegação que deveria ir aos Jogos Olímpicos. O banal sempre fez parte do interesse coletivo.
Porém, a opinião prevalente que será escutada nem sempre é a que tem maior alcance. Ela depende do nível de legitimidade do emissor. Opiniões polêmicas ou contraditórias tendem a entrar numa espiral do silêncio — conceito formulado pela intelectual Elisabeth Noelle-Neumann.
Um conceituado jornalista da ESPN, Arnaldo, torcedor fanático do São Paulo, que tem um canal no YouTube com seu colega e alter ego, Tironi, contou que para dar sua opinião teve que esperar anos. Ele mesmo, que foi executivo de programação durante décadas na ESPN, só conquistou o espaço de falar publicamente depois de consolidar sua legitimidade.
Na televisão, a lógica sempre funcionou assim: quem aparece opinando no jornal são apenas jornalistas que exercem cargos executivos e são conceituados.
Mas com o avanço da internet — como previu Umberto Eco — qualquer idiota é chamado ao debate público. Qualquer um é convocado a emitir sua opinião. E pior: corre-se o risco de essa opinião até mesmo viralizar.
O espaço público, que antes era reservado a um círculo de legitimidade e hierarquia, hoje se tornou um grande palco de ruído.
Felizmente, existem aqueles que, como eu e como vocês, ainda correm contra a maré.
Fazemos parte de um nicho. Ou, ao menos, é nisso que gosto de acreditar. Tento fazer minha parte, disseminando cultura através daquilo que produzo.
Quem me acompanha é testemunha disso.